PF prende “careca do INSS” e Maurício Camisotti em fraude bilionária na Previdência

PF prende “careca do INSS” e Maurício Camisotti em fraude bilionária na Previdência
Além das prisões, agentes federais cumprem 13 mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Distrito Federal, expedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça/PF Divulgação
Publicado em 12/09/2025 às 10:28

Da redação de LexLegal

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira (12) uma das maiores operações contra desvios na Previdência Social nos últimos anos e prendeu Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o “Careca do INSS”, e o empresário Maurício Camisotti. Segundo a investigação, ambos atuavam em um esquema que fraudava aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O prejuízo estimado entre 2019 e 2024 chega a R$ 6,3 bilhões.

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Além das prisões, agentes federais cumprem 13 mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Distrito Federal, expedidos pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Carros de luxo como Ferrari, Porsche, Land Rover, Mercedes e até um modelo de Fórmula 1 foram apreendidos durante a operação.

De acordo com a PF, Antunes funcionava como lobista e facilitador do esquema. Ele teria movimentado R$ 9,3 milhões em transferências para pessoas ligadas a servidores do INSS entre 2023 e 2024. O objetivo era abrir caminho para fraudes em massa, permitindo que associações de fachada descontassem valores diretamente dos benefícios previdenciários.

O investigado foi levado para a Superintendência da PF no Distrito Federal, onde permanece à disposição da Justiça. Até o momento, sua defesa não se manifestou.

Como funcionava a fraude

Relatórios da PF e da Controladoria-Geral da União (CGU) revelam o esquema de funcionamento da rede criminosa:

  • Propina a servidores do INSS: entidades ofereciam vantagens indevidas para ter acesso a dados de beneficiários;
  • Assinaturas falsas: fichas de filiação eram adulteradas para autorizar descontos;
  • Associações de fachada: muitas vezes presididas por idosos, pessoas de baixa renda ou aposentados por incapacidade;
  • Descontos em folha: aposentados e pensionistas eram inscritos sem consentimento em entidades, que passavam a cobrar mensalidades automaticamente.

Em diversos casos, beneficiários foram filiados a mais de uma entidade no mesmo dia, com erros de grafia idênticos, evidenciando a fraude.

A investigação começou em 2023 na CGU, em esfera administrativa. No ano seguinte, após indícios de crimes, a Polícia Federal assumiu o caso.

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Outros alvos da operação

Outro alvo da operação é o empresário Maurício Camisotti, preso em São Paulo. Ele é acusado de atuar como sócio oculto de uma das entidades investigadas e de ter se beneficiado das irregularidades no sistema previdenciário. Em nota, sua defesa afirmou que não existe “qualquer motivo que justifique sua prisão no âmbito da operação relacionada à investigação de fraudes no INSS”.

Os advogados chamam a atenção para a arbitrariedade cometida durante a ação policial. “Camisotti teve seu celular retirado das mãos no exato momento em que falava com seu advogado. Tal conduta afronta garantias constitucionais básicas e equivale a constranger um investigado a falar ou produzir prova contra si próprio. A defesa reitera que adotará todas as medidas legais cabíveis para reverter a prisão e assegurar o pleno respeito aos direitos e garantias fundamentais do empresário.”

Os agentes também cumpriram mandado de busca na residência e no escritório do advogado Nelson Wilians, em São Paulo, onde encontraram diversas obras de arte. Ele não foi preso, mas é citado na investigação por transações financeiras relacionadas a investigados.

Em resposta, a defesa de Wilians destacou: “Em relação ao mandado de busca e apreensão cumprido nesta data, Nelson Wilians esclarece que tem colaborado integralmente com as autoridades e confia que a apuração demonstrará sua total inocência. Nelson Wilians já afirmou, anteriormente, que sua relação com um dos investigados — seu cliente na área jurídica — é estritamente profissional e legal, o que será comprovado de forma cabal. Os valores por ele transferidos referem-se à aquisição de um terreno vizinho à sua residência, transação lícita e de fácil comprovação”, diz a nota.

A defesa também ressalta que a medida cumprida é de natureza exclusivamente investigativa, não implicando qualquer juízo de culpa ou responsabilidade. “O advogado permanece à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários e reafirma seu compromisso com a legalidade e a transparência.”

O impacto das fraudes

Segundo a CGU, o esquema atingiu milhares de beneficiários em todo o país. Idosos e pensionistas tiveram descontos não autorizados em seus contracheques, reduzindo a renda disponível de famílias em situação de vulnerabilidade.

A PF avalia que a fraude também comprometeu a confiança na gestão do INSS, já fragilizada após denúncias anteriores. Em abril de 2024, quando parte do esquema veio à tona, o então presidente do órgão, Alessandro Stefanutto, foi demitido.

A operação marca um novo capítulo no combate a fraudes previdenciárias. Além das prisões e apreensões, a Justiça deve avaliar os pedidos de bloqueio de bens e a eventual responsabilização de servidores do INSS que facilitaram os desvios.

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Para os investigadores, a dimensão do esquema indica que a prática só foi possível devido à conivência de agentes públicos e à atuação organizada de entidades de fachada.


SÃO PAULO WEATHER