Lula defende multilateralismo e critica “chantagem tarifária” em cúpula virtual do Brics

Da redação de LexLegal
Os líderes do Brics se reuniram nesta segunda-feira (8), em formato virtual, para discutir estratégias de ampliação do comércio entre as nações do bloco de países emergentes. O encontro foi organizado pelo Brasil, que ocupa a presidência rotativa em 2025, em um contexto de tensões comerciais com os Estados Unidos, após o governo de Donald Trump impor um tarifaço contra parceiros internacionais.
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Durante o discurso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o fortalecimento da integração financeira e comercial entre os países do bloco é uma alternativa segura para enfrentar o protecionismo norte-americano. “O comércio e a integração financeira entre nossos países oferecem opção segura para mitigar os efeitos do protecionismo”, declarou.
Lula destacou que o Brics tem legitimidade para liderar a “refundação do sistema multilateral de comércio”, citando o papel do Novo Banco de Desenvolvimento na diversificação das economias. Segundo ele, os países do bloco representam 40% do PIB global, 26% do comércio internacional e quase metade da população mundial, além de concentrarem vastas terras agricultáveis e serem grandes exportadores e consumidores de energia.
As críticas também se voltaram ao cenário internacional. Lula acusou os EUA de normalizar a “chantagem tarifária” como instrumento de pressão política e alertou para o enfraquecimento da Organização Mundial do Comércio (OMC). “A OMC está paralisada há anos. Em poucas semanas, medidas unilaterais transformaram em letra morta princípios basilares do livre comércio”, afirmou.
Além da economia, a reunião abordou conflitos globais, como a guerra na Ucrânia e o genocídio na Faixa de Gaza. Lula também mencionou a presença militar norte-americana no Caribe, classificando-a como fator de instabilidade regional. Ao mesmo tempo, reforçou o convite aos líderes para a COP30, em Belém, e sugeriu a criação de um Conselho de Mudança do Clima da ONU.
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O encontro contou com a participação dos chefes de Estado da China, Rússia, África do Sul, Egito, Indonésia e Irã, além do príncipe herdeiro dos Emirados Árabes Unidos, do chanceler da Índia e do vice-ministro das Relações Exteriores da Etiópia.