Países da América Latina reagem à presença militar dos EUA no Caribe e alertam para risco à paz regional

Da redação de LexLegal
A maioria dos países da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), entre eles Brasil, México e Colômbia, manifestou “profunda preocupação” com a movimentação militar de potências externas na região do Caribe. A declaração faz referência indireta ao envio de navios, submarinos e caças pelos Estados Unidos à costa da Venezuela.
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O documento lembra que América Latina e Caribe foram proclamados “Zona de Paz” e defende princípios como solução pacífica de controvérsias, diálogo multilateral e respeito irrestrito à soberania. Assinaram a nota 21 países, incluindo Chile, Bolívia, Uruguai, Cuba, República Dominicana e Venezuela. Por outro lado, Argentina, Equador, Paraguai e Peru se recusaram a aderir ao comunicado.
O alerta ocorre em meio à escalada das tensões entre EUA e Venezuela. O governo Donald Trump deslocou embarcações militares sob a justificativa de “combate às drogas”, acusando Nicolás Maduro de chefiar um cartel. Caracas rejeita as acusações e acusa Washington de buscar uma “troca de regime” em um país que possui as maiores reservas de petróleo do mundo.
O Pentágono, por sua vez, acusou a Venezuela de realizar sobrevoos militares próximos a um navio americano em águas internacionais, classificando a ação como “provocação”. Nos últimos dias, os EUA reforçaram a presença no Caribe com o envio de caças F-35 para Porto Rico, enquanto Maduro anunciou a convocação de 8 milhões de civis para integrar as Milícias Bolivarianas, braço auxiliar do Exército venezuelano.
A nota da Celac enfatiza que o combate ao crime organizado e ao narcotráfico deve ocorrer “por meio da cooperação regional e internacional no marco do Direito Internacional”. O comunicado também destaca o Tratado de Tlatelolco, que proíbe armas nucleares na região, como símbolo da vocação latino-americana pela paz.
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A crise ganhou novo capítulo com a visita do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ao México e ao Equador. Rubio voltou a acusar Maduro de narcotráfico, rejeitando relatório da ONU que minimiza a participação da Venezuela no mercado global de drogas. Em resposta, o chanceler venezuelano, Yván Gil, acusou Washington de manipular informações e ironizou a parceria americana com o Equador, lembrando as apreensões de cocaína em carregamentos de bananas exportadas pelo país andino.