Túnel Santos–Guarujá vai a leilão: obra inédita e R$ 6,8 bi em investimentos

Túnel Santos–Guarujá vai a leilão: obra inédita e R$ 6,8 bi em investimentos
Leilão do primeiro túnel submerso do país ocorre na B3; projeto liga Santos ao Guarujá e prevê conclusão até 2030/MAPA/Divulgação
Publicado em 05/09/2025 às 13:00

Da redação de LexLegal

O primeiro túnel submerso do Brasil, que ligará Santos e Guarujá, será leiloado nesta sexta-feira (4), às 16h, na sede da B3, em São Paulo. Duas companhias estrangeiras estão habilitadas para disputar o contrato de 30 anos: a espanhola Acciona Concesiones e a portuguesa Mota-Engil. O projeto, estimado em cerca de R$ 6,8 bilhões, prevê 1,5 km de extensão — dos quais aproximadamente 870 metros imersos — e conclusão até 2030. A conexão atenderá carros, ônibus, caminhões, ciclistas e pedestres, reduzindo a dependência de balsas e embarcações que hoje transportam cerca de 78 mil pessoas por dia entre as duas margens.

Leia também: Mattos Filho e Demarest assessoram aquisição da Fass pela Adufértil

O modelo prevê que vence quem oferecer o maior desconto sobre a contraprestação mensal devida pelo poder público ao longo da concessão; em caso de empate, haverá rodada de lances ao vivo. A obra é estruturada em parceria entre governos estadual e federal, com operação e manutenção sob responsabilidade da concessionária vencedora.

Considerada uma intervenção histórica para a mobilidade da Baixada Santista, a travessia já foi alvo de disputas políticas por protagonismo, mas também de gestos públicos de cooperação institucional. No lançamento do edital, após agradecimentos do governador Tarcísio de Freitas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a colaboração: “Não é possível a gente deixar de trabalhar de forma conjunta, de compartilhar esforço, porque eu não gosto de fulano, o fulano não gosta de mim”.

Por que túnel submerso e não ponte?

Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a técnica do túnel imerso — já consagrada na Europa e na Ásia — foi escolhida por se adaptar melhor às condições locais. O solo do estuário, formado por argilas moles e sedimentos fluviais, não oferece estabilidade para escavações profundas. Além disso, a alternativa de ponte foi descartada por restrições da Base Aérea de Santos e pelo intenso tráfego de navios no canal portuário.

O próprio ministério descreve a tecnologia: “Cada peça é construída em terra firme, testada e depois transportada por flutuação até o local de instalação. Lá, os blocos são cuidadosamente afundados, encaixados no leito do canal e protegidos por camadas de areia e pedras”. A pasta também ressalta que “o túnel imerso apresenta vantagens ambientais e urbanas, exigindo menos desapropriações, reduzindo o impacto visual e permitindo uma execução mais rápida e eficiente”.

Como será a execução

A construção seguirá três etapas principais. Primeiro, prepara-se o leito com escavação, regularização e base de apoio, enquanto os módulos pré-moldados passam por testes de vedação e resistência. Depois, rebocadores levam os blocos até o ponto exato e o rebaixamento controlado é feito com bombeamento de água e monitoramento eletrônico para garantir alinhamento e cota.

O ministério detalha essa fase: “A água será bombeada para afundar as estruturas gradualmente, sob monitoramento eletrônico. Uma vez posicionados, os blocos serão encaixados e nivelados com o auxílio de sistemas hidráulicos, fixados com pinos de aço e assentados sobre um leito de areia”. Por fim, toda a estrutura é recoberta por camada de pedras para proteção contra impactos e correntes.

Veja também: Delta Energia capta R$ 200 milhões com assessoria de Stocche Forbes e Souto Correa

Impacto econômico e logístico

A travessia encurta tempos de deslocamento, dá previsibilidade à logística do porto de Santos e integra polos urbanos separados pelo canal. Como a maior obra do atual PAC na área de mobilidade, a intervenção tende a gerar empregos diretos e indiretos na região e a fomentar cadeias de fornecimento de concreto, estruturas, equipamentos eletromecânicos e sistemas de ventilação, drenagem, iluminação e segurança. A solução definitiva para pedestres e ciclistas também corrige gargalos históricos de acessibilidade.

SÃO PAULO WEATHER