Receita exige dados retroativos desde janeiro de fintechs para combater crimes financeiros

Receita exige dados retroativos desde janeiro de fintechs para combater crimes financeiros
Secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, durante audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara/Lula Marques/Agência Brasil
Publicado em 04/09/2025 às 8:30

Da redação de LexLegal

O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou nesta quarta-feira (3) que as fintechs terão de enviar ao Fisco informações sobre movimentações financeiras de forma retroativa, desde janeiro deste ano. A medida busca ampliar a fiscalização e alinhar os bancos digitais às mesmas regras aplicadas às instituições financeiras tradicionais.

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A decisão ocorre após a publicação de uma instrução normativa que reforça a obrigação de repasse de dados ao Fisco, com foco no combate a crimes como lavagem de dinheiro. A medida também responde às críticas surgidas após a revogação, em janeiro, de uma regra que tratava da prestação de informações sobre o Pix. Segundo Barreirinhas, a revogação foi impulsionada por desinformação, o que acabou prejudicando a fiscalização.

“As mentiras, sim, ajudaram o crime organizado. A gente corrigiu agora na sexta-feira e vamos pedir os dados retroativamente a janeiro. A partir dessas informações, eu tenho certeza de que mais coisas serão encontradas relacionadas a esse tipo de problema”, disse Barreirinhas.

Operação Carbono Oculto

A declaração do secretário foi dada durante audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara. Ele comentou os desdobramentos da Operação Carbono Oculto, que apura um esquema de adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro que pode ter movimentado R$ 80 bilhões. A investigação aponta que até mil postos de combustíveis em dez estados podem ter sido afetados, com a adição irregular de metanol em combustíveis.

Segundo Barreirinhas, os nomes dos postos suspeitos só serão divulgados quando houver certeza da participação no esquema.

“Por que a gente não fica falando de nomes? Para não cometer erro de operações passadas em que não se separou antes o joio do trigo e se quebraram empresas, quebraram setores do empresariado por falta de cautela. A gente não pode demonizar sem ter certeza absoluta de quem nós estamos pegando”, explicou.

Esquema financeiro

De acordo com a Receita, o esquema utilizava contas-bolsão, abertas em fintechs e bancos tradicionais. O dinheiro circulava por fundos de investimento até chegar a negócios aparentemente regulares, o que podia transformar pessoas sem ligação criminosa em sócias involuntárias de organizações ilícitas.

Barreirinhas lembrou que fintechs também já apareceram em operações contra o contrabando de cigarros e em investigações sobre apostas ilegais.

Fiscalização e medidas futuras

O secretário ressaltou que a ampliação da fiscalização não pretende criminalizar o setor de fintechs, que desempenha papel importante na inclusão financeira. No entanto, frisou que a Medida Provisória 1.303/25 prevê sanções a empresas digitais que tenham vínculo com atividades ilegais, como as bets não regulamentadas.

“A lei não quer punir quem contribui para a inclusão financeira, mas sim quem se utiliza de lacunas para lavar dinheiro e financiar atividades criminosas”, reforçou.

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A fala foi acompanhada de cobranças de parlamentares, que pediram maior transparência sobre os postos envolvidos no esquema. O secretário manteve a posição de cautela, destacando que a Receita não repetirá erros de investigações anteriores.

SÃO PAULO WEATHER