Azerbaijão vai oferecer bolsas de estudo a brasileiros em áreas de energia e tecnologia

Da redação de LexLegal
O governo do Azerbaijão anunciou que estudantes brasileiros terão acesso a bolsas de estudo em universidades do país, abrangendo desde a graduação até o mestrado em diferentes áreas de pesquisa. A novidade foi revelada pelo vice-ministro de Relações Exteriores do Azerbaijão, Elnur Mammadov, em encontro com o chanceler brasileiro, Mauro Vieira.
Leia também: BNDES lança edital de até R$ 5 bi para fundos de descarbonização e transição energética
Segundo Mammadov, a cooperação educacional representa um marco no relacionamento entre os dois países. “Isso é uma nova página em nossa cooperação entre os dois países”, afirmou o diplomata.
Ainda não há definição sobre o número de bolsas, mas as áreas de maior interesse já estão estabelecidas: energia renovável e transformação digital, que inclui conectividade, transportes e inteligência artificial. A divulgação oficial das vagas será feita pelo Ministério da Educação do Brasil.
De acordo com o vice-ministro, o Azerbaijão concede anualmente mais de 100 bolsas de estudo a estudantes estrangeiros, e a expectativa é que brasileiros passem a integrar esse grupo de beneficiados de forma consistente.
Cooperação científica e comercial
Mammadov destacou que a intenção é fortalecer a colaboração entre Brasil e Azerbaijão também no campo da pesquisa, com atenção especial às atividades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O interesse recai, sobretudo, sobre projetos de agricultura sustentável, setor estratégico para os dois países.
Além da área acadêmica, as conversas em Brasília também abordaram a ampliação das relações comerciais. O Azerbaijão já fornece fertilizantes ao Brasil e, segundo Mammadov, ampliou significativamente a compra de açúcar brasileiro. “Se você olhar as estatísticas, a comercialização deste ano dobrou em relação ao ano passado”, ressaltou.
O vice-ministro defendeu ainda a criação de uma plataforma econômica bilateral, capaz de aproximar investidores e ampliar o intercâmbio entre empresas brasileiras e azeris.
Do clima à geopolítica
Outro ponto em comum na agenda bilateral está no combate às mudanças climáticas. O Azerbaijão sediou em 2024 a COP29, realizada em Baku, e o Brasil será anfitrião da COP30, em Belém (PA), no fim de 2025.
Veja também: OAB e as novas regras do marketing jurídico: entre a sobriedade e a necessidade de se comunicar
Na avaliação de Mammadov, os dois países compartilham a defesa de que as nações desenvolvidas devem assumir maiores responsabilidades no financiamento e implementação de políticas de enfrentamento à crise climática. “É claro que os países possuem opiniões diferentes, especialmente com relação ao financiamento das mudanças do clima”, observou.