STJ anula condenação de Adriana Villela no caso “Crime da 113 Sul”

STJ anula condenação de Adriana Villela no caso “Crime da 113 Sul”
Decisão unânime do STJ determina que militares trans não podem ser afastados ou excluídos das Forças Armadas por sua identidade de gênero/Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Publicado em 03/09/2025 às 7:00

Da redação de LexLegal

A Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu nesta terça-feira (2), por 3 votos a 2, anular a condenação de 61 anos de prisão da arquiteta Adriana Villela, acusada de ser a mandante do chamado “Crime da 113 Sul”, ocorrido em Brasília em 2009.

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Na ocasião, o advogado e ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela, sua esposa Maria Carvalho Villela e a empregada doméstica Francisca Nascimento da Silva foram mortos a facadas no apartamento da família, na Asa Sul.

A maioria dos ministros entendeu que houve cerceamento de defesa, já que depoimentos colhidos pela polícia — que atribuíram a autoria do crime a Adriana — só foram apresentados no dia do julgamento no Tribunal do Júri, sem tempo para que a defesa se preparasse.

O voto vencedor foi do ministro Sebastião Reis Júnior, seguido pelo ministro Antônio Saldanha Palheiro e pelo desembargador convocado Otávio de Almeida Toledo. “Os depoimentos extrajudiciais dos corréus foram determinantes para justificar a autoria do crime”, afirmou Reis Júnior.

Foram vencidos os ministros Rogério Schietti, relator do caso, e Og Fernandes, que entenderam não ter havido prejuízo processual, já que a defesa utilizou trechos desses depoimentos durante o julgamento no júri. Para eles, a alegação de nulidade estaria preclusa, ou seja, não poderia mais ser levantada.

Condenação anulada

Adriana Villela havia sido condenada em 2019, a 67 anos e 6 meses de prisão pelo triplo homicídio. Em 2022, a pena foi reduzida em segunda instância para 61 anos e 3 meses. Agora, com a decisão do STJ, o caso volta à fase inicial de julgamento.

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A defesa sustentava que a condenação contrariava as provas dos autos e que o júri havia sido influenciado de forma indevida. Já o Ministério Público defendia a manutenção da pena, sob o argumento da soberania das decisões do júri, e chegou a pedir a prisão imediata de Adriana, com base em precedentes do Supremo Tribunal Federal (STF).

Com a decisão, o processo terá novo desdobramento e poderá passar por um novo júri popular.

SÃO PAULO WEATHER