Inflação recua pela 14ª vez, mas segue acima da meta do BC, diz Boletim Focus

Inflação recua pela 14ª vez, mas segue acima da meta do BC, diz Boletim Focus
Propostas para reduzir jornada colocam empresas e trabalhadores em lados opostos/Agência Brasil
Publicado em 01/09/2025 às 12:30

Da redação de LexLegal

O mercado financeiro reduziu pela 14ª semana seguida a projeção para a inflação oficial do país. Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (1º) pelo Banco Central (BC), a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 4,86% para 4,85% em 2025. Para os próximos anos, a tendência também é de ligeira queda: 4,31% em 2026; 3,94% em 2027; e 3,8% em 2028.

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Apesar da revisão, a expectativa ainda está acima do teto da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3% ao ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa que o limite máximo a ser perseguido pelo BC é de 4,5%, abaixo da previsão atual.

Em julho, o IPCA divulgado pelo IBGE ficou em 0,26%, pressionado pelo aumento na conta de energia, mas com nova queda no preço dos alimentos. No acumulado de 12 meses, a inflação alcançou 5,23%, também acima do teto da meta.

Juros básicos permanecem em 15%

Para cumprir o objetivo de controlar os preços, o Banco Central mantém a taxa Selic em 15% ao ano, patamar definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Após sete altas consecutivas, a autoridade monetária interrompeu os reajustes na última reunião, em julho, diante da desaceleração da economia.

Em comunicado, o Copom destacou que a política comercial dos Estados Unidos ampliou a incerteza sobre os preços internacionais e, por isso, a Selic será mantida, podendo voltar a subir caso haja necessidade. A projeção do mercado é de que a taxa encerre 2025 ainda em 15% ao ano, mas caia para 12,5% em 2026, 10,5% em 2027 e 10% em 2028.

Na prática, juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança, contendo a demanda e segurando a inflação. Por outro lado, também restringem o consumo e podem dificultar a expansão da economia. Quando a Selic cai, a tendência é o barateamento do crédito, incentivando a produção e o consumo, mas com menor controle sobre os preços.

PIB e dólar em perspectiva

O Boletim Focus também trouxe a projeção de crescimento para a economia brasileira. A estimativa do PIB de 2025 passou de 2,18% para 2,19%. Para 2026, a previsão é de 1,87%, seguida por 1,89% em 2027 e 2% em 2028.

Os números seguem a tendência de expansão iniciada nos últimos anos. O PIB brasileiro cresceu 1,4% no primeiro trimestre de 2025 e fechou 2024 com alta de 3,4%, o quarto ano consecutivo de crescimento, com destaque para o setor agropecuário.

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No câmbio, a previsão é que o dólar encerre 2025 em R$ 5,56. Para 2026, a expectativa é de R$ 5,62.

Com os indicadores revisados, o mercado sinaliza confiança em uma inflação sob maior controle, ainda que acima do teto da meta, e em uma economia em crescimento moderado, mas consistente.

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