Economista de Harvard critica tarifas de Trump e alerta para risco de efeito contrário nos EUA

Da redação de LexLegal
As tarifas de importação impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vêm sendo alvo de críticas de economistas de renome internacional. Para Dani Rodrik, professor da Universidade de Harvard, as sobretaxas aplicadas a produtos estrangeiros, incluindo exportações brasileiras, não cumprem a promessa de revitalizar a indústria americana nem de criar empregos de qualidade.
Rodrik, um dos nomes mais respeitados da economia mundial e codiretor do Reimagining the Economy na Kennedy School, participou nesta semana do seminário Globalização, Desenvolvimento e Democracia, promovido pelo BNDES em parceria com a Open Society Foundations, no Rio de Janeiro. Durante o evento, ele afirmou que a política tarifária de Trump pode se tornar prejudicial até mesmo para os próprios Estados Unidos.
“Há uma boa chance de que, no final das contas, isso seja autodestrutivo”, declarou o economista.
Críticas às tarifas americanas
Segundo Rodrik, medidas como a tarifa de 50% sobre parte das exportações brasileiras, em vigor desde 6 de agosto, não resultam necessariamente em geração de empregos ou inovação.
“As tarifas apenas aumentam a lucratividade de certos segmentos da manufatura. Agora, quando algumas empresas se tornam mais lucrativas, elas necessariamente inovam mais? Elas necessariamente investem mais? Elas investem mais em seus trabalhadores? Elas necessariamente contratam mais trabalhadores? Elas tentam ser mais competitivas? Todas essas coisas boas não estão diretamente ligadas ao fato de que, agora, elas estão ganhando mais dinheiro”, disse.
Para o economista, tarifas deveriam ser instrumentos temporários, complementares a políticas industriais e sociais, e não a base de uma estratégia econômica.
“As tarifas são um expediente temporário, um escudo temporário, mas não são o principal instrumento pelo qual você atinge esses objetivos, porque, para isso, não são muito eficazes”, explicou.
China como contraponto
Rodrik citou a China como exemplo de país que conseguiu alinhar proteção de setores estratégicos e planejamento de crescimento econômico:
“A China tem seguido políticas que promovem seus próprios interesses econômicos nacionais acima de tudo. Mas, como resultado, essas políticas foram, em sua maioria, bem planejadas em termos de crescimento econômico.”
Críticas de Alex Soros e impacto global
O presidente do Conselho da Open Society, Alex Soros, também criticou a política de Trump, destacando os cortes na Usaid, a agência americana de cooperação internacional.
“As ações humanitárias sofreram muitos dos cortes mais dolorosos. Agora se sabe que pessoas morreram ao redor do mundo por conta dos cortes da Usaid. Falando como um americano, isso não é um interesse americano”, afirmou.
Na ocasião, a Open Society anunciou um plano de investimentos de oito anos em países da América Latina, incluindo Brasil, Colômbia e México, com foco em povos indígenas, comunidades afrodescendentes e mulheres.
A diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, destacou os efeitos sociais dessas medidas:
“Nós não temos como enfrentar as desigualdades no mundo de forma isolada, muito menos os países em desenvolvimento e países pobres. É muito importante que a gente tenha uma reação dos atores comprometidos com a democracia, que não se fechem no olhar somente da agenda econômica e comercial, mas que passem a olhar o que está em risco de fato.”