Justiça garante permanência do Teatro de Contêiner Mungunzá por 180 dias

Justiça garante permanência do Teatro de Contêiner Mungunzá por 180 dias
Estrutura do Teatro de Contêiner Mungunzá, na região central de São Paulo, que ganhou decisão judicial para permanecer por 180 dias no terreno da prefeitura/Victor Iemini/Divulgação
Publicado em 25/08/2025 às 12:30

Da redação de LexLegal

A Justiça de São Paulo concedeu uma liminar que impede a desocupação imediata do Teatro de Contêiner Mungunzá e do Coletivo Tem Sentimento do imóvel da prefeitura, localizado na região central da capital paulista, próximo à antiga Cracolândia. A decisão, proferida pela juíza Nandra Martins da Silva Machado, da 5ª Vara da Fazenda Pública, assegura a permanência no espaço por mais 180 dias.

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A medida suspende qualquer ação de retirada por parte da Guarda Civil Metropolitana (GCM) ou de outros órgãos públicos. Em sua decisão, a magistrada destacou que o teatro é formado por 15 contêineres marítimos interligados, com paredes de vidro, cobertura acústica, iluminação e acervo artístico, o que torna a desocupação um processo complexo, exigindo planejamento técnico e logístico. Além disso, lembrou que o espaço tem programação confirmada até dezembro, e que a interrupção causaria prejuízos não apenas para o grupo, mas também para a sociedade e para os artistas e educadores envolvidos.

Posição da prefeitura

A Prefeitura de São Paulo, em nota oficial, afirmou que pretende revitalizar a área e construir um prédio de habitação de interesse social no terreno. Disse ainda que ofereceu três áreas alternativas ao teatro, mas que o grupo não cumpriu os prazos para deixar o local.

A administração publicou uma autorização de uso do espaço por apenas 60 dias, alegando que o Teatro de Contêiner deve providenciar a mudança para um novo endereço. Entre as alternativas oferecidas, estaria uma área de 1.043 metros quadrados na Rua Helvétia, próxima à Avenida São João, a menos de um quilômetro da atual sede.

O prefeito Ricardo Nunes, em entrevista, declarou que não havia sido informado da decisão judicial. Ele ressaltou que a prefeitura já destinou R$ 2,5 milhões ao Teatro de Contêiner durante sua gestão, além de R$ 500 mil repassados pelo governo estadual, e defendeu que a área seja utilizada em um projeto habitacional com 95 unidades e espaços de lazer.

Reações e protestos

A polêmica ganhou força após ação da GCM, na terça-feira (19), quando agentes retiraram artistas de um prédio anexo ao teatro usando gás de pimenta. O episódio provocou protestos e críticas do Ministério da Cultura e da Fundação Nacional de Artes (Funarte), que repudiaram a conduta da corporação.

Personalidades da cena cultural também se mobilizaram. A atriz Marieta Severo comparou a ação da GCM aos “piores tempos de uma ditadura”. Já Fernanda Montenegro publicou uma carta pedindo que o prefeito repense o fechamento do espaço, destacando que o grupo tem 17 anos de atividades e já realizou mais de 4 mil projetos. O ator Antônio Fagundes também gravou vídeo em apoio, afirmando que “são tão poucos espaços para a gente usar no país, não permitam que mais um seja fechado”.

Histórico

O Teatro de Contêiner Mungunzá está instalado no local desde 2016, em um terreno da prefeitura situado entre as ruas General Couto Magalhães, dos Gusmões e dos Protestantes, área marcada historicamente pelo “fluxo” da Cracolândia. O grupo pleiteia que o espaço seja transferido para a gestão da Secretaria Municipal de Cultura, o que permitiria a regularização definitiva da ocupação.

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A prefeitura, no entanto, insiste em manter o projeto de revitalização da região, que inclui habitação social e áreas de lazer, reforçando que a área pertence ao município.

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