PF aponta transferência de R$ 2 milhões de Bolsonaro a Michelle um dia antes de depoimento

PF aponta transferência de R$ 2 milhões de Bolsonaro a Michelle um dia antes de depoimento
A Polícia Federal concluiu que Jair Bolsonaro transferiu R$ 2 milhões para Michelle Bolsonaro na véspera de prestar depoimento, apontando indícios de ação deliberada para apoiar Eduardo Bolsonaro no exterior/Antonio Augusto/STF
Publicado em 21/08/2025 às 8:00

Da redação de LexLegal

A Polícia Federal incluiu em seu novo indiciamento contra o ex-presidente Jair Bolsonaro a informação de que ele transferiu R$ 2 milhões para sua esposa, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, um dia antes de prestar depoimento no inquérito que apura a atuação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em articulações com os Estados Unidos para pressionar o governo brasileiro e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Mais notícias: Desorganização societária: um risco silencioso

De acordo com o relatório da PF, Bolsonaro não mencionou a operação financeira em seu depoimento, embora tenha reconhecido publicamente outro repasse de igual valor destinado a custear a estadia do filho nos Estados Unidos.

Vale ressaltar que Jair Bolsonaro omitiu informação à Polícia Federal em seu depoimento no INQ 4.995/DF de que teria repassado outros valores a Eduardo Bolsonaro, além dos R$ 2 milhões. Também não houve qualquer justificativa para transferência de recursos no mesmo valor para Michelle Bolsonaro apenas um dia antes do interrogatório”, afirma o documento.

Atuação planejada

Na avaliação dos investigadores, Bolsonaro atuou de forma deliberada para apoiar financeiramente Eduardo e tentar dificultar o avanço da ação penal que apura a chamada trama golpista.

O conjunto de elementos probatórios arrecadados indica, portanto, que o ex-presidente Jair Bolsonaro atuou deliberadamente, de forma livre e consciente, desde o início de 2025, e com maior ênfase nos meses de maio, junho e julho de 2025 ─ quando se acentuaram as ações de Eduardo Bolsonaro no exterior ─ com a finalidade de se desfazer dos recursos financeiros que tinha em sua posse imediata, bem como evitar possíveis medidas judiciais que limitassem e/ou impedissem de consumar o intento criminoso de apoiar financeiramente as ações do parlamentar licenciado no exterior”, concluiu a PF.

Pressão internacional

A investigação foi aberta a pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, relator no STF. O caso ganhou peso diante das recentes medidas dos Estados Unidos contra o Brasil, como a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos nacionais, uma investigação sobre o sistema Pix e sanções contra Moraes com base na Lei Magnitsky.

Outras notícias: Feminicídios com arma de fogo crescem 45% em 2025, aponta levantamento

Eduardo Bolsonaro, por sua vez, pediu licença de 122 dias do mandato em março e se mudou para os EUA, alegando perseguição política. Na semana passada, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou à Comissão de Ética um pedido de cassação do mandato do parlamentar, apresentado por PT e PSOL.

SÃO PAULO WEATHER