PIB cresce 0,5% no 2º trimestre, mas juros altos freiam economia

PIB cresce 0,5% no 2º trimestre, mas juros altos freiam economia
Inflação em 12 meses chega a 4,44% e segue dentro da meta oficial/Agência Brasil
Publicado em 18/08/2025 às 15:00

Da redação de LexLegal

A economia brasileira registrou crescimento de 0,5% no segundo trimestre de 2025 em comparação ao primeiro, segundo estimativas do Monitor do PIB, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV). O resultado mostra uma desaceleração em relação ao início do ano, quando o avanço havia sido de 1,3%.

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O levantamento, divulgado nesta segunda-feira (18), funciona como prévia do dado oficial do PIB, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), previsto para 2 de setembro. Na comparação com o mesmo período de 2024, a alta foi de 2,4%. Em 12 meses, a expansão acumulada chega a 3,2%. Em valores, a FGV estima que o PIB do primeiro semestre atingiu R$ 6,109 trilhões.

Juros e perda de fôlego

De acordo com Juliana Trece, economista do Ibre/FGV, o desempenho do trimestre foi sustentado por serviços e indústria. No entanto, ela destacou que a indústria cresceu de forma concentrada na atividade extrativa, evidenciando “maior fragilidade do setor”.

Trece ressaltou ainda que a desaceleração tem explicações claras: “a relevante desaceleração” ocorreu tanto pela ausência da contribuição positiva da agropecuária, que havia puxado o crescimento no início do ano, quanto pelo “efeito defasado do elevado patamar dos juros na atividade econômica”.

O consumo das famílias, que representa parte relevante do PIB, também vem perdendo força. No último trimestre de 2024, havia crescido 3,7%. No primeiro trimestre de 2025, a taxa caiu para 2,6%, e no segundo trimestre recuou para 1,5%, sempre em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Selic em alta

A perda de ritmo está diretamente ligada à escalada da taxa Selic, iniciada em setembro de 2024. A taxa passou de 10,5% ao ano para os atuais 15%, o nível mais alto desde 2006. O Banco Central elevou os juros para conter a inflação, que está acima do teto da meta (4,5%) desde o fim de 2024.

A Selic é a principal ferramenta do Comitê de Política Monetária (Copom) para ajustar os preços à meta anual de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. O mecanismo funciona como freio: empréstimos ficam mais caros para consumidores e empresas, o crédito é reduzido e os investimentos produtivos perdem atratividade diante do retorno elevado em aplicações financeiras. O efeito, porém, costuma aparecer entre seis e nove meses após os aumentos, coincidindo com a perda de fôlego apontada pelo Monitor do PIB.

Outros indicadores

O estudo da FGV não é o único termômetro da economia. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado também nesta segunda-feira, mostrou expansão de 0,3% no segundo trimestre. Em 12 meses, a alta foi de 3,9%.

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Enquanto o Monitor do PIB e o IBC-Br servem como sinais de tendência, o dado oficial do PIB — que será publicado pelo IBGE em setembro — consolidará os resultados da economia e dará um retrato definitivo do desempenho do país no período.


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