Trump cancela vistos de brasileiros ligados ao Mais Médicos, citando ligação com Cuba

Trump cancela vistos de brasileiros ligados ao Mais Médicos, citando ligação com Cuba
Mozart Sales (dir.) e Alberto Kleiman (esq.) tiveram vistos cancelados pelos EUA por ligação com o programa Mais Médicos, em decisão anunciada pelo governo Trump/Divulgação redes sociais/MS
Publicado em 14/08/2025 às 13:00

Da redação de LexLegal

O governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, anunciou a revogação dos vistos de entrada para Mozart Júlio Tabosa Sales, atual secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, e Alberto Kleiman, diretor da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) para a COP 30. A medida foi comunicada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, que justificou a decisão pela participação de ambos na implantação do programa Mais Médicos, durante o governo Dilma Rousseff, em 2013.

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Segundo Rubio, o programa – que levou médicos às regiões mais carentes do Brasil e teve ampla participação de profissionais cubanos – teria utilizado a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) como intermediária com “a ditadura cubana”, burlando sanções dos EUA contra Havana. De acordo com o comunicado, “esse esquema enriquece o corrupto regime cubano e priva o povo cubano de cuidados médicos essenciais (…). Dezenas de médicos cubanos que atuaram no programa relataram ter sido explorados pelo regime cubano como parte do programa”.

Quem são os sancionados

Mozart Sales é médico formado pela Universidade de Pernambuco, com especialização em Medicina Legal e doutorado em Saúde Integral. Servidor público concursado, já atuou como vereador do Recife e presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal. No Ministério da Saúde, foi secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde entre 2012 e 2014, período em que participou da criação do Mais Médicos.

Alberto Kleiman, por sua vez, tem carreira voltada às relações internacionais, com passagens por gestões do PT na Prefeitura de São Paulo e no governo federal. Assumiu o Departamento Internacional do Ministério da Saúde em 2012 e permaneceu no cargo até 2015. Atualmente, ocupa posição estratégica na OTCA para a COP 30. O nome de Kleiman já havia surgido em investigações do governo Trump sobre a participação da Opas no envio de médicos cubanos ao Brasil, conduzidas desde 2020 pelo então secretário de Estado Mike Pompeo.

Mais Médicos e as disputas políticas

Criado em 2013, o Mais Médicos buscou ampliar a cobertura de atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente em áreas remotas e periferias, com prioridade para médicos brasileiros e, em seguida, estrangeiros habilitados. A maior parte dos profissionais estrangeiros veio de Cuba, por meio de um acordo mediado pela Opas.

O programa foi alvo de críticas de opositores e entidades médicas, que questionaram a atuação de profissionais sem revalidação do diploma no Brasil. Em 2018, após a eleição de Jair Bolsonaro, o governo cubano encerrou sua participação. Atualmente, o programa foi relançado pelo governo Lula, com cerca de 24,7 mil médicos em atuação em 4,2 mil municípios.

Repercussões e lista de autoridades afetadas

A decisão de Trump também se insere em um contexto mais amplo de tensões com autoridades brasileiras. Em julho, os Estados Unidos suspenderam os vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Dias Toffoli, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a medida como “arbitrária e completamente sem fundamento”, afirmando que “a interferência de um país no sistema de Justiça de outro é inaceitável e fere os princípios básicos da soberania entre as nações”.

SÃO PAULO WEATHER