Profissionalização e sucessão: os dois maiores desafios para os escritórios de advocacia

Profissionalização e sucessão: os dois maiores desafios para os escritórios de advocacia
Na advocacia contemporânea, gestão e estratégia não são complementos: são condições de sobrevivência/Freepik
Publicado em 13/08/2025 às 15:00

Ronaldo Ferreira Tolentino*

O mercado jurídico brasileiro vive uma transformação silenciosa, mas profunda. Se antes bastava excelência técnica para garantir o sucesso de um escritório de advocacia, hoje a realidade é outra: é preciso adotar práticas de gestão empresarial e planejar a sucessão com a mesma seriedade dedicada ao atendimento dos clientes. Sem isso, especialmente para bancas de médio e grande porte, o risco de fracasso é iminente.

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A primeira barreira é cultural. Muitos advogados ainda resistem a reconhecer que, para administrar uma banca de forma eficiente, é necessário contar com gestores especializados em áreas como finanças, marketing jurídico, tecnologia e recursos humanos. Vencida essa resistência, o planejamento estratégico se torna a base para decisões mais assertivas e crescimento sustentável.

Não existe um modelo único de escritório. O formato, seja full service ou boutique, e a escolha de áreas de atuação devem considerar o perfil e a disposição dos sócios, as oportunidades do mercado e a estratégia de diversificação de receita. Nesse contexto, a tecnologia, incluindo ferramentas de inteligência artificial, pode desempenhar papel decisivo, desde que usada sob supervisão e com verificação criteriosa de resultados.

Outro ponto crucial é o alinhamento entre os sócios. Perfis diferentes, uns mais voltados à técnica jurídica, outros com forte aptidão para negócios, quando bem coordenados, podem gerar sinergias importantes. Essa diversidade, porém, só se converte em vantagem competitiva se houver clareza nos objetivos e equilíbrio nas responsabilidades.

Por fim, a sucessão. Trata-se, talvez, do maior tabu enfrentado pelos escritórios de advocacia atualmente. Mais difícil do que profissionalizar a gestão é preparar a transição para as próximas gerações de líderes. Assim como na vida pessoal, muitos profissionais têm dificuldade em planejar o próprio futuro e, no ambiente corporativo, essa lacuna pode comprometer anos de construção de marca e carteira de clientes.

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O escritório que conseguir superar esses desafios estará melhor posicionado para prosperar em um mercado cada vez mais competitivo. Afinal, na advocacia contemporânea, gestão e estratégia não são complementos: são condições de sobrevivência.

*Ronaldo Ferreira Tolentino, Advogado trabalhista é sócio da Ferraz dos Passos Advocacia e Consultoria e presidente da Comissão de Direito do Trabalho do CFOAB.

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