Human Rights Watch acusa governo Trump de distorcer relatório de direitos humanos e omitir abusos de aliados

Da redação de LexLegal
A Human Rights Watch (HRW), uma das principais organizações não governamentais de direitos humanos do mundo, acusou o governo dos Estados Unidos de manipulação política e omissão de informações no relatório anual do Departamento de Estado sobre violações de direitos humanos em diversos países, incluindo o Brasil.
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Segundo a HRW, o governo Donald Trump teria ignorado abusos cometidos por nações aliadas, como El Salvador, Hungria e Israel, ao mesmo tempo em que destacou pioras em países cujos governos são criticados pela Casa Branca, como Brasil e África do Sul. “O novo relatório é, em muitos aspectos, um exercício de encobrimento e enganação. O governo Trump transformou grande parte do documento em uma arma que torna autocratas mais palatáveis e minimiza abusos que ocorrem nesses lugares”, afirmou Sarah Yager, diretora da HRW em Washington.
A ONG critica a exclusão de informações sobre violações contra mulheres, pessoas LGBTQIA+, pessoas com deficiência e outros grupos. “Categorias inteiras de abusos foram apagadas, enquanto graves violações por governos aliados foram encobertas”, completou Yager.
O relatório é obrigatório desde 1974 e tem como objetivo auxiliar a formulação da política externa dos EUA, especialmente em relação a países com “padrão consistente de violações graves de direitos humanos internacionalmente reconhecidos”.
Brasil
Sobre o Brasil, o documento afirma que houve piora na situação de direitos humanos em 2024, citando “violação à liberdade de expressão” nas investigações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal contra grupos organizados na internet para atacar o sistema eleitoral e incentivar golpe de Estado. O texto sustenta que o governo teria “minado o debate democrático ao restringir acesso a conteúdo online acusado de ‘minar a democracia’, suprimindo desproporcionalmente o discurso de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro”.
Analistas apontam que setores da extrema-direita no Brasil e nos EUA distorcem os processos judiciais para sustentar um discurso de censura e perseguição. “[Essa estratégia] busca desmoralizar investigações sobre os ataques ao Estado Democrático de Direito no Brasil, com informações incompletas e superficiais”, afirmou Pedro Kelson, do Washington Brazil Office.
A Procuradoria-Geral da República acusa Bolsonaro de pressionar comandantes militares para reverter o resultado da eleição de 2022 e aponta que havia planos para prender e assassinar autoridades públicas — alegações que os envolvidos negam.
Israel
A HRW afirma que o relatório dos EUA omite o deslocamento forçado de palestinos na Faixa de Gaza, o uso da fome como arma de guerra e a privação deliberada de serviços essenciais, além da destruição de infraestrutura básica.
El Salvador
Apesar de denúncias da ONU e de organizações de direitos humanos sobre prisões arbitrárias, julgamentos em massa e restrição de liberdades, o relatório oficial norte-americano diz não haver “relatos confiáveis” de abusos significativos. A HRW acusa Washington de proteger o governo de Nayib Bukele, aliado político de Trump.
Hungria
O documento também não menciona, segundo a ONG, os esforços do governo húngaro para minar instituições democráticas, restringir a sociedade civil e a mídia independente, e cometer abusos contra pessoas LGBT e migrantes.
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África do Sul
No caso sul-africano, o relatório dos EUA aponta piora após a sanção de uma lei que permite desapropriação de terras sem indenização. O governo local afirma que a medida corrige distorções históricas do apartheid.