Justiça lenta, dor longa: a batalha das famílias contra o esquecimento das chacinas

Justiça lenta, dor longa: a batalha das famílias contra o esquecimento das chacinas
Zilda Maria de Jesus, mãe de Fernando Luiz de Paula, morto na chacina, relata dez anos de luto e luta por justiça/Paulo Pinto/Agência Brasil
Publicado em 13/08/2025 às 7:47

Da redação de LexLegal

O assassinato de um familiar é apenas o início de uma dolorosa jornada para famílias de vítimas de chacinas. Além do luto, enfrentam processos judiciais demorados, dificuldades econômicas e adoecimento físico e psicológico. A Chacina de Osasco, Itapevi e Barueri — que tirou a vida de 19 pessoas em agosto de 2015 e completa dez anos nesta quarta-feira (13) — é um retrato dessa realidade.

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Entre as vítimas estava Fernando Luiz de Paula, morto em um bar de Barueri. Sua mãe, Zilda Maria de Jesus, nunca recebeu indenização. “A gente não tem nem direito de guardar o luto. Eu já estou morta, filha”, desabafou. Além da ausência de reparação, ela enfrentou ataques da defesa dos acusados no julgamento criminal, algo comum entre familiares de vítimas executadas por agentes do Estado.

Para Carla Osmo, professora de Direitos Humanos da Unifesp e coordenadora da Clínica de Direitos Humanos em Osasco, os impactos vão além da perda. “Essas famílias sofreram empobrecimento, adoecimentos graves e estigmatização. Há o medo da polícia e a sensação de que a vida não tem valor.”

Segundo levantamento da clínica, tramitam ao menos 16 ações civis de responsabilização do Estado, sendo dez movidas por familiares e uma por sobrevivente. A maioria se arrasta há seis ou sete anos, com recursos constantes do governo, exigências excessivas de provas e valores baixos de indenização. Apenas dois processos chegaram à fase de execução — sem pagamento.

Para Carla, a demora e a resistência estatal perpetuam a violência. “O tempo não apazigua. É como se tivesse acontecido agora. O apagamento desses episódios mantém a violência de Estado.”

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A Secretaria de Segurança Pública informou que o inquérito concluiu pelo indiciamento de oito pessoas, entre elas sete policiais militares expulsos da corporação.

SÃO PAULO WEATHER