MP investiga Bolsonaro por associar Lula a regime de Assad, na Síria

MP investiga Bolsonaro por associar Lula a regime de Assad, na Síria
Apuração investiga suposto envio, por Jair Bolsonaro, de imagem no WhatsApp vinculando Lula a Bashar al-Assad e a execuções de pessoas LGBTQIA+, com condução da Polícia Civil do DF e supervisão da 5ª Vara Criminal de Brasília/GM/MPDFT
Publicado em 11/08/2025 às 15:00

Da redação de LexLegal

Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) instaurou um inquérito para apurar o suposto envolvimento do ex-presidente Jair Bolsonaro no envio de uma mensagem, via aplicativo WhatsApp, que associa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a violações de direitos humanos.

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A medida foi tomada após solicitação formal do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, que no dia 7 de julho encaminhou à Polícia Federal (PF) um pedido para investigar possíveis crimes contra a honra do chefe do Executivo federal, “além de eventuais crimes conexos”, segundo comunicado do ministério.

Origem da denúncia

De acordo com a denúncia anônima que deu início ao caso, Bolsonaro teria compartilhado uma imagem que vinculava Lula ao ex-ditador sírio Bashar al-Assad e à execução de pessoas LGBTQIA+. A suposta peça de desinformação circulou em grupos de mensagens e redes privadas, o que levou o Ministério da Justiça a acionar a PF para a coleta de provas e identificação da autoria e da dinâmica de envio.

No Brasil, a legislação prevê que mensagens que imputem crimes ou condutas desonrosas a autoridades públicas, quando falsas ou distorcidas, podem configurar crime contra a honra, que engloba calúnia, difamação e injúria. Quando a vítima é o presidente da República, cabe ao ministro da Justiça encaminhar o caso para investigação, como ocorreu neste episódio.

Definição de competência e desdobramentos

Após análise preliminar, a Polícia Federal decidiu enviar o caso ao Ministério Público do DF, considerando a competência territorial para apuração. O MPDFT determinou que a investigação fosse conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal, sob supervisão da 5ª Vara Criminal de Brasília, que ficará responsável por acompanhar diligências, autorizar eventuais medidas cautelares e garantir o cumprimento dos prazos processuais.

O inquérito deverá apurar não apenas o suposto envio da mensagem por Bolsonaro, mas também a eventual participação de terceiros na elaboração ou disseminação do conteúdo. A investigação pode incluir a quebra de sigilo telemático para rastrear o fluxo de encaminhamentos, perícia na imagem e identificação dos dispositivos utilizados.

O caso surge em um cenário de alta tensão política e polarização, no qual o uso de redes sociais e aplicativos de mensagens para disseminar conteúdo de cunho político-eleitoral é alvo frequente de questionamentos judiciais e ações de combate à desinformação. A vinculação de figuras públicas a regimes autoritários ou a práticas de violação de direitos humanos, quando desprovida de base factual, pode gerar consequências jurídicas graves, incluindo responsabilização civil e penal.

Além da esfera criminal, episódios desse tipo podem resultar em processos por danos morais e na aplicação de sanções eleitorais, caso se configure propaganda irregular ou difamatória em períodos de campanha.

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O MPDFT ainda não informou prazos para a conclusão do inquérito, mas, segundo fontes jurídicas, investigações dessa natureza podem se estender por meses, especialmente quando envolvem apuração de provas digitais e análise de material compartilhado em redes privadas de comunicação.

SÃO PAULO WEATHER