Metade das demissões em 2024 foi causada por comportamento no trabalho, aponta estudo

Metade das demissões em 2024 foi causada por comportamento no trabalho, aponta estudo
Indústria lidera geração de empregos com carteira assinada; comércio fecha postos/Agência Brasil
Publicado em 11/08/2025 às 8:00

Da redação de LexLegal

6º Observatório de Carreiras e Mercado, levantamento realizado pelo PUCPR Carreiras — setor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) — trouxe um dado que acende um alerta para trabalhadores e empresas: 50% das demissões no Brasil, em 2024, tiveram como principal causa questões comportamentais.

A pesquisa, que ouviu 3.631 estudantes3.655 ex-alunos (alumni) e 583 empresas do setor de recrutamento humano, mostra que problemas de relacionamento, falta de colaboração, dificuldade de adaptação e posturas negativas têm impacto direto na empregabilidade.

Embora avanços tecnológicos e estratégias corporativas também influenciem as demissões, o fator humano permanece como ponto crítico. De acordo com o estudo, a automação de atividades — substituição de funções humanas por máquinas e sistemas — respondeu por 25% das demissões. Outros 25% ocorreram devido a redução de custos e cortes orçamentários nas empresas.

O peso do comportamento no desempenho das equipes

Para a coordenadora do PUCPR Carreiras, Luciana Mariano, o mercado de trabalho de hoje não se contenta apenas com a competência técnica. É preciso saber trabalhar em equiperespeitar a diversidade de ideias e manter um ambiente produtivo.

“O mercado valoriza profissionais que unem competência técnica e habilidades para uma boa convivência. Um único indivíduo com atitudes negativas pode comprometer toda a equipe, surgem conflitos, a produtividade cai e talentos são perdidos. Por isso, é preciso olhar para o autoconhecimento”, afirma.

Luciana observa que o sucesso profissional está cada vez mais baseado no equilíbrio entre saber fazer e saber conviver.

“Mais do que dominar ferramentas ou processos, é preciso desenvolver inteligência emocional, empatia, respeito e responsabilidade nas relações, além de se autoavaliar sempre, se questionando sobre sua postura nas relações do dia a dia e a sua forma de lidar com as emoções e com os outros no ambiente de trabalho.”

Mudança nas habilidades mais valorizadas pelo mercado

O levantamento também destacou as competências mais procuradas em 2023:

  • Comunicação oral (11,46%)
  • Planejamento (10,73%)
  • Solução de problemas (10,18%)
  • Gestão de conflitos (7,51%)
  • Comunicação escrita (7,42%)

Quando comparado a 2021, período em que empresas enfrentavam diretamente os impactos da pandemia, percebe-se uma mudança de foco. Naquele momento, a capacidade de solucionar problemas liderava com 12,58%, reflexo de um cenário de adaptação constante. Hoje, habilidades ligadas à comunicação e organização passaram a ter maior relevância, acompanhando a retomada de um mercado mais estruturado, mas igualmente exigente.

A importância da atualização constante

A pesquisa revelou ainda que 76% dos entrevistados estão investindo na aquisição de novos conhecimentos — seja por meio de cursos, treinamentos ou estudos complementares —, mostrando que muitos trabalhadores já entendem a necessidade de se manter atualizados para garantir empregabilidade. Entre as empresas, 16,32% disseram priorizar candidatos que demonstram interesse em se atualizar.

Luciana Mariano destaca que o ritmo acelerado das mudanças exige postura proativa.

“Atualizar conhecimentos e desenvolver novas competências é uma necessidade. Aqueles que mantêm o aprendizado constante conseguem se adaptar às mudanças, identificar oportunidades e compartilhar conhecimento. Essa prática ajuda não só na carreira individual, mas também no desempenho das organizações, que precisam de pessoas preparadas para aprender, mudar e colaborar.”

Comportamento como fator de decisão

Em um cenário cada vez mais competitivo, atitudes negativas no ambiente de trabalho podem ser tão prejudiciais quanto falhas técnicas. Questões como atrasos frequentes, resistência a mudanças, postura defensiva diante de feedbacks e conflitos internos têm levado empresas a rever sua equipe.

Esse movimento reflete uma tendência global: companhias não buscam apenas “quem sabe fazer”, mas “quem sabe fazer junto”. Assim, além de investir em formação técnica, profissionais precisam trabalhar o lado humano da carreira, que envolve desde a empatia até a ética nas relações.

SÃO PAULO WEATHER