MPF recomenda que Ibama proíba totalmente uso de mercúrio na mineração da Amazônia

MPF recomenda que Ibama proíba totalmente uso de mercúrio na mineração da Amazônia
Recomendação do MPF visa restringir de forma absoluta a importação, comercialização e revenda de mercúrio metálico utilizado em atividades garimpeiras/Polícia Federal/divulgação
Publicado em 08/08/2025 às 8:30

Da redação de LexLegal

Ministério Público Federal (MPF) recomendou ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) a proibição total e expressa da importação, comercialização e revenda de mercúrio metálico para qualquer finalidade minerária na região Amazônica. A medida visa fechar brechas legais que ainda permitem o uso do metal tóxico no garimpo, com graves consequências ambientais e sanitárias.

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De acordo com o MPF, a instrução normativa atualmente em vigor ainda permite exceções que dificultam a fiscalização e facilitam o uso de mercúrio na atividade garimpeira. Entre os pontos criticados está o fato de que a norma não veda explicitamente a comercialização por pessoas jurídicas, além de permitir a compra por pessoas físicas que possuam Permissão de Lavra Garimpeira (PLG) e licença ambiental.

Para o Ministério Público, essas permissões contribuem para manter o ciclo de contaminação ambiental e humana. A nova recomendação propõe uma proibição absoluta, válida para pessoas físicas e jurídicas, independentemente da existência de títulos minerários ou autorizações ambientais.

A solicitação tem como base um inquérito civil conduzido por procuradores federais, que revelou os impactos do uso contínuo de mercúrio na região. De acordo com o MPF, estudos técnicos e científicos confirmaram a contaminação de solos, rios e da cadeia alimentar na Amazônia, afetando diretamente comunidades ribeirinhas, indígenas e populações urbanas.

Altos níveis de mercúrio foram detectados no organismo de moradores dessas regiões, com efeitos severos sobre a saúde pública e a segurança alimentar, especialmente em áreas onde a pesca é a principal fonte de sustento e proteína. O metal, altamente tóxico, é usado no processo de separação do ouro no garimpo, mas permanece no ambiente por décadas, acumulando-se em peixes e no corpo humano, com risco de danos neurológicos, renais e reprodutivos.

A recomendação do MPF foi formalmente encaminhada ao Ibama, que tem 30 dias para responder. Em nota oficial, o instituto informou que o documento está em análise por sua área técnica e que só irá se manifestar publicamente após o envio da resposta ao Ministério Público.

Caso o Ibama não acate a recomendação, o MPF pode adotar medidas judiciais para garantir a proibição, com base no princípio da precaução ambiental e na proteção à saúde coletiva. A expectativa é de que o tema reacenda o debate sobre o uso de substâncias perigosas na mineração e a necessidade de fortalecimento da fiscalização ambiental na Amazônia, uma região já pressionada por garimpo ilegal, desmatamento e conflitos fundiários.

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A proposta do MPF também dialoga com pressões internacionais para que o Brasil reduza o uso de mercúrio, conforme os compromissos assumidos na Convenção de Minamata, tratado global que prevê a eliminação progressiva do uso da substância em diversos setores.

SÃO PAULO WEATHER