Fiocruz e EMS fecham parceria para produzir canetas emagrecedoras no Brasil

Da redação de LexLegal
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a farmacêutica EMS firmaram dois acordos de cooperação para a produção de liraglutida e semaglutida, medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”.
O pacto prevê a transferência de tecnologia da síntese do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) e do medicamento final para Farmanguinhos, unidade técnico-científica da Fiocruz. Inicialmente, a fabricação será feita na planta industrial da EMS, em Hortolândia (SP), até que a produção seja integralmente transferida para o Complexo Tecnológico de Medicamentos de Farmanguinhos, no Rio de Janeiro.
Avanço para a indústria farmacêutica
Segundo nota conjunta, a iniciativa é considerada um marco histórico para a indústria farmacêutica brasileira, com impacto tanto no tratamento de diabetes e obesidade quanto no fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (Ceis).
“As injeções subcutâneas oferecem uma abordagem de alta eficácia e são consideradas inovadoras para o tratamento de diabetes e obesidade, marcando mais um avanço significativo da indústria nacional no desenvolvimento de soluções de alta complexidade”, destacou o comunicado.
A Fiocruz também ressaltou que a parceria amplia sua capacidade de inovação e fortalece a produção de medicamentos injetáveis, diversificando o portfólio da instituição.
Regras de controle e uso restrito
Desde junho de 2025, farmácias e drogarias de todo o Brasil passaram a reter receitas médicas de medicamentos dessa categoria, que inclui também dulaglutida, exenatida, tirzepatida e lixisenatida.
A mudança foi determinada pela Anvisa, após aumento dos relatos de eventos adversos relacionados ao uso desses fármacos fora das indicações aprovadas. “O objetivo é proteger a saúde da população brasileira, especialmente diante do uso indiscriminado”, afirmou a agência em nota.
Críticas ao uso indiscriminado
Sociedades médicas como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) já defendiam a retenção de receitas.
Em documento público, as entidades alertaram:
“A venda de agonistas de GLP-1 sem receita médica, apesar de irregular, é frequente. A legislação vigente exige receita médica para a dispensação destes medicamentos, porém, não a retenção da mesma pelas farmácias. Essa lacuna facilita o acesso indiscriminado e a automedicação, expondo indivíduos a riscos desnecessários.
Debate sobre incorporação no SUS
Em paralelo, o tema chegou ao Sistema Único de Saúde (SUS). A Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) abriu consulta pública, concluída em junho, para avaliar a inclusão da semaglutida no rol de medicamentos fornecidos pela rede pública.
Apesar do interesse, o parecer preliminar foi desfavorável à incorporação, com base no impacto orçamentário: a compra poderia custar até R$ 7 bilhões em cinco anos. O pedido de avaliação partiu da farmacêutica Novo Nordisk, fabricante do Wegovy.