USP diploma ex-alunos mortos pela ditadura militar em cerimônia no Largo São Francisco

Da redação de LexLegal
A Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) realizará, no dia 11 de agosto, a diplomação póstuma de dois de seus ex-alunos mortos durante a ditadura militar: Arno Preis e João Leonardo da Silva Rocha. A cerimônia será realizada a partir das 17h30, na Sala dos Estudantes do tradicional prédio do Largo São Francisco, no centro da capital paulista. A homenagem integra as comemorações pelos 198 anos de criação dos cursos jurídicos no Brasil.
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Além da entrega simbólica dos diplomas, o evento contará com o descerramento de uma placa no Pátio das Arcadas e uma apresentação do Coral XI de Agosto, sob a regência do maestro Eduardo Fernandes. A solenidade é organizada pela Faculdade de Direito da USP, em parceria com o Centro Acadêmico XI de Agosto e a Comissão de Direitos Humanos da universidade. A iniciativa também conta com apoio da Reitoria, da Pró-Reitoria de Graduação (PRG), da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (Prip) e da Associação dos Antigos Alunos das Arcadas.
Estão confirmadas as presenças de diversas autoridades, como os ex-ministros José Carlos Dias (Justiça), Almino Afonso (Trabalho e Emprego) e Flavio Bierrenbach (Superior Tribunal Militar), além de nomes ligados à defesa dos direitos humanos, como Belisário dos Santos Jr., ex-secretário de Justiça de São Paulo, o ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh e a advogada Taís Gasparian.
A cerimônia marca o reconhecimento formal da trajetória de dois estudantes que tiveram suas vidas interrompidas pela repressão do regime militar. Arno Preis foi morto em 1972, após ser capturado por forças do Batalhão de Goiás e do Departamento de Ordem Política e Social (Dops). De acordo com relatos históricos, foi assassinado com disparos de arma de fogo e ferimentos provocados por faca ou baioneta, tendo sido enterrado como indigente.
João Leonardo da Silva Rocha, por sua vez, foi morto em junho de 1975, quando já não estavam mais em operação os grupos dos quais participou — a Ação Libertadora Nacional (ALN) e o Movimento de Libertação Popular (Molipo). Segundo registros, ele foi morto por agentes da Polícia Militar da Bahia.
A diplomação simbólica faz parte do projeto Diplomação da Resistência, lançado em dezembro de 2023 como uma iniciativa conjunta da Prip, PRG e do coletivo estudantil Vermelhecer. A proposta é dar visibilidade institucional aos casos de perseguição, tortura, assassinato e desaparecimento de estudantes da USP durante os 21 anos de ditadura, como forma de reparação simbólica.
Na ocasião do lançamento do projeto, o reitor Carlos Gilberto Carlotti Junior destacou o compromisso da universidade com a memória e a reparação histórica:
“Neste momento, nós devolvemos para a sociedade todo o investimento que foi feito na Universidade. Infelizmente, esses estudantes tiveram suas oportunidades ceifadas de maneira violenta, mas, ainda assim, fizeram mudanças profundas em nossa sociedade através de suas lutas, para que hoje possamos viver em um país livre e democrático”, afirmou, durante cerimônia realizada na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH).
Desde o início do projeto, diversas unidades da USP participaram da iniciativa, como o Instituto de Geociências (IGc), a própria FFLCH, a Faculdade de Medicina (FM), a Escola de Comunicações e Artes (ECA), o Instituto de Psicologia (IP), a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU), a Escola Politécnica (Poli) e a Faculdade de Educação (FE).
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A diplomação póstuma de Arno Preis e João Leonardo da Silva Rocha representa mais do que um ato simbólico. É uma manifestação institucional que reconhece, com o peso da história, o papel de estudantes que resistiram ao autoritarismo e pagaram com a vida por suas convicções. É também uma reafirmação do compromisso da universidade com a democracia, a justiça e os direitos humanos — valores que, apesar das rupturas do passado, seguem como pilares fundamentais da educação pública brasileira.