Mattos Filho e Pinheiro Neto lideram operação bilionária da norueguesa Visma na compra da Conta Azul

Mattos Filho e Pinheiro Neto lideram operação bilionária da norueguesa Visma na compra da Conta Azul
A expectativa do mercado é que a Visma mantenha as operações da Conta Azul no Brasil, com sua marca e equipe local, mas com acesso à infraestrutura, capital e know-how da controladora europeia/Conta Azul
Publicado em 05/08/2025 às 9:30

Da redação de LexLegal

A multinacional norueguesa Visma deu um passo estratégico em sua expansão global ao adquirir o controle da Conta Azul, plataforma brasileira de gestão financeira em nuvem voltada a pequenas e médias empresas. Avaliada em aproximadamente R$ 1,85 bilhão, a operação representa a estreia da Visma no mercado brasileiro e foi formalmente assinada em 31 de julho de 2025, ainda sujeita a condições precedentes, como a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e outros órgãos reguladores.

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A negociação envolve a incorporação da Visma (BVI) Holding Limited — uma subsidiária da Visma — pela ContaAzul Internal Holdings Corporation, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas (BVI). Após a conclusão da operação, a Visma International Holding AS passa a deter 100% das ações da ContaAzul International Holdings Corporation, tornando-se sua controladora direta e integrando o Grupo Conta Azul ao seu portfólio.

Escritórios e advogados envolvidos

Na assessoria jurídica da compradora, a Visma International Holding AS, atuou o escritório Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados, com uma equipe composta pelos advogados Tomás Neiva, Camilla Martes, Rodrigo Miranda, Luca Corrêa de Mendonça e Lucas de Oliveira. Também participaram do lado da Visma representantes do escritório Willkie Farr & Gallagher LLP.

Conta Azul Internal Holdings Corporation, vendedora na operação, foi representada por dois escritórios: o Pinheiro Neto Advogados, no Brasil, e o Gunderson Dettmer Stough Villeneuve Franklin & Hachigian, LLP, nos Estados Unidos.

Um movimento estratégico com DNA de tecnologia

A Visma é reconhecida por fornecer soluções digitais integradas de ERP (Enterprise Resource Planning, ou Planejamento de Recursos Empresariais), e a Conta Azul era um dos nomes mais relevantes nesse nicho entre startups brasileiras. Fundada em Santa Catarina, a fintech conquistou uma base sólida de clientes ao oferecer uma plataforma de gestão contábil e financeira na nuvem, voltada para empreendedores de pequeno e médio porte.

A compra representa um movimento de consolidação no setor de tecnologia financeira (fintechs) e também marca a entrada da Visma em um dos maiores mercados da América Latina. Segundo fontes do setor, o negócio se aproxima dos US$ 300 milhões, o equivalente a quase R$ 1,85 bilhão na cotação atual, conforme apurado pelo Brazil Journal e Valor Econômico.

A estruturação do negócio envolveu uma incorporação societária internacional, em que uma empresa é absorvida por outra, resultando na transferência da totalidade de seu patrimônio. No caso, a Visma BVI foi incorporada pela holding da Conta Azul nas Ilhas Virgens Britânicas. Esse tipo de operação é comum em transações com múltiplas jurisdições e permite maior flexibilidade regulatória.

Além disso, o negócio ainda depende de condições precedentes, ou seja, exigências que precisam ser cumpridas para que a operação seja oficialmente concluída. Entre essas condições estão a aprovação do Cade, que avalia se a operação afeta a concorrência no mercado brasileiro, e eventuais autorizações regulatórias de outros países onde as empresas têm atuação societária.

O valor envolvido também indica uma operação de grande porte, o que exige cuidado redobrado com aspectos como due diligence (auditoria legal e contábil) e cláusulas de responsabilidade futura entre as partes.

A expectativa do mercado é que a Visma mantenha as operações da Conta Azul no Brasil, com sua marca e equipe local, mas com acesso à infraestrutura, capital e know-how da controladora europeia. O movimento segue uma tendência crescente de aquisição de empresas brasileiras por grupos internacionais em busca de inovação, capilaridade e digitalização.

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A depender da velocidade de análise dos órgãos reguladores, o fechamento da operação pode ocorrer ainda em 2025. Até lá, a integração entre as companhias seguirá em preparação, sem mudanças imediatas para os usuários da plataforma.

SÃO PAULO WEATHER