Brasil cogita incluir minerais críticos e terras raras em acordo com os EUA para contornar tarifaço

Da redação de LexLegal
O governo brasileiro avalia negociar com os Estados Unidos um acordo bilateral envolvendo minerais críticos e terras raras, como parte da estratégia para minimizar os impactos do tarifaço anunciado pela administração Trump. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (4) pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em entrevista à BandNews.
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“Temos minerais críticos e terras raras. Os Estados Unidos não são ricos nesses minerais. Podemos fazer acordos de cooperação para produzir baterias mais eficientes”, declarou o ministro. O acordo, segundo ele, poderia viabilizar uma aproximação estratégica na cadeia de valor da tecnologia limpa e da inteligência artificial, setores altamente dependentes de matérias-primas como lítio, nióbio e terras raras.
Potencial estratégico dos minerais brasileiros
Os minerais críticos são insumos essenciais para a produção de baterias elétricas, semicondutores e processadores de IA (inteligência artificial). O Brasil possui algumas das maiores reservas mundiais de lítio e nióbio, enquanto os Estados Unidos enfrentam limitações na oferta interna desses materiais.
Desde maio, o governo brasileiro discute um novo marco legal para a IA e datacenters, com impacto direto na política industrial e energética. A perspectiva de alinhar o Brasil como fornecedor estratégico de minerais pode fortalecer a posição do país nas negociações comerciais com Washington.
Tarifaço e plano de contingência
As tarifas unilaterais de 50% anunciadas pelo governo Donald Trump devem entrar em vigor na próxima quarta-feira (6). Para proteger os setores produtivos nacionais, o governo federal está finalizando um plano de contingência, que deve incluir linhas de crédito especiais e incentivos por meio de compras públicas.
“A medida está pronta”, garantiu Haddad. Segundo ele, a proposta será divulgada até a data da implementação das tarifas. O vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, também confirmou a conclusão do plano, que busca atenuar os efeitos imediatos sobre a balança comercial brasileira.
Possibilidade de exceções
Questionado sobre a inclusão de novos produtos na lista de exceções do tarifaço, Haddad não descartou avanços nas negociações até quarta-feira. “Creio que alguma coisa [ampliação da lista de exceções] ainda pode acontecer até o dia 6. […] Não vamos sair da mesa de negociação até que possamos vislumbrar um acordo”, afirmou.
O ministro frisou, no entanto, que o Brasil não aceitará os termos atuais de taxação, por considerá-los desproporcionais e prejudiciais à economia nacional. “Nesses termos, o Brasil, evidentemente, não vai fazer um acordo”, reiterou.
Setores em alerta: café pode ser poupado
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Um dos setores mais ameaçados pela medida é o agronegócio, particularmente o segmento de exportação de café. Após reunião com o vice-presidente Alckmin, o presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcio Ferreira, informou que existe 50% de chance de o café ser excluído da tarifa de 50%. A notícia traz alívio parcial ao setor, que teme perdas bilionárias com a elevação do imposto de importação nos EUA.