Governo avalia mudar lei para que estados comprem alimentos afetados pelo tarifaço e reforcem a merenda escolar

Governo avalia mudar lei para que estados comprem alimentos afetados pelo tarifaço e reforcem a merenda escolar
Ministro Fernando Haddad em coletiva após reunião sobre medidas para mitigar os impactos do tarifaço/Lula Marques/Agência Brasil
Publicado em 02/08/2025 às 10:58

Da redação de LexLegal

O governo federal estuda alterar a legislação para permitir que estados e municípios possam adquirir alimentos que perderam espaço no mercado internacional após a imposição da tarifa de 50% pelos Estados Unidos, utilizando-os para reforçar a merenda escolar e programas sociais. A proposta foi discutida nesta sexta-feira (1º) pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o governador do Ceará, Elmano de Freitas, que sugeriu a compra de peixes e frutas prejudicados pela medida norte-americana.

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“O governador [Elmano] apresentou um plano mais amplo, não só para a merenda escolar. Ele apresentou um plano mais amplo. Essas compras seriam feitas pelo Executivo estadual, mas dependem de uma lei federal, de uma autorização federal. Ele está mandando a sugestão de redação, nós vamos processar”, declarou Haddad, ao deixar o Ministério da Fazenda.

Plano emergencial contra impactos do tarifaço

A proposta integra o plano de contingência do governo federal para mitigar os impactos econômicos da decisão dos Estados Unidos. Mais cedo, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que o Executivo está aberto a destinar parte da produção afetada para abastecer escolas públicas e programas como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

“A ideia é utilizar esses produtos em políticas públicas, reforçando a alimentação escolar e evitando que haja perdas econômicas ainda maiores para os produtores nacionais”, explicou a ministra.

Alterações legislativas necessárias

Para viabilizar a medida, será preciso mudar a legislação que regula as compras governamentais. Hoje, a regra determina que as aquisições sigam a lógica dos pregões eletrônicos, priorizando o menor preço, com margem de preferência para produtos nacionais e uma cota mínima de 30% destinada à agricultura familiar no caso do PAA.

A proposta em análise, que pode ser formalizada por medida provisória ou projeto de lei, criaria uma exceção para que os governos estaduais e municipais possam adquirir diretamente os alimentos de exportadores afetados pelas barreiras tarifárias.

Setores mais atingidos

A tarifa de 50% anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump no final de julho atingiu diversos produtos brasileiros. Entre os mais impactados estão peixes e frutas do Nordeste, como melão, manga e atum, que tradicionalmente têm nos Estados Unidos um dos principais mercados consumidores.

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O objetivo do governo é evitar que a retração nas exportações provoque perdas econômicas severas em regiões fortemente dependentes da atividade agroindustrial. A expectativa é que o volume de compras públicas possa gerar uma demanda interna suficiente para compensar, ao menos em parte, a queda das vendas externas.

SÃO PAULO WEATHER