Business development no jurídico: o papel das legaltechs na construção de um ambiente orientado ao crescimento

Business development no jurídico: o papel das legaltechs na construção de um ambiente orientado ao crescimento
BD não é apenas sobre vendas. É sobre criação de valor, relacionamento estratégico e posicionamento competitivo de longo prazo/Freepik
Publicado em 01/08/2025 às 11:30

Priscila de Oliveira Spadinger*

No universo jurídico tradicional, “vender” ou “desenvolver negócios” ainda é, muitas vezes, um tabu. A lógica clássica da advocacia sempre operou sob a premissa de que o bom trabalho, por si só, atrairia novos clientes. No entanto, essa crença se mostra cada vez mais ultrapassada diante das mudanças no comportamento dos clientes, da transformação digital e do surgimento de novos modelos de negócios jurídicos.

É nesse contexto que o business development (BD) ganha relevância como uma disciplina essencial dentro de escritórios de advocacia, departamentos jurídicos e legal operations. BD não é apenas sobre vendas. É sobre criação de valor, relacionamento estratégico e posicionamento competitivo de longo prazo.

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O que é BD no contexto jurídico?

Business development no jurídico é o conjunto de ações e estratégias voltadas para:

  • Mapeamento de oportunidades de negócio;
  • Relacionamento e fidelização de clientes;
  • Posicionamento de marca no mercado jurídico;
  • Criação de soluções jurídicas alinhadas às dores reais dos clientes;
  • Integração entre marketing, inovação, jurídico e tecnologia.

É, portanto, uma área que demanda pensamento estratégico, análise de dados, empatia com o cliente e – especialmente – colaboração interdisciplinar.

E onde entram as legaltechs?

As legaltechs são hoje peças-chave para a estruturação de BD jurídico moderno. Elas oferecem ferramentas, dados e automações que permitem:

  • CRM jurídico real e funcional: plataformas como a Lexio, Advbox, LawCRM e outras permitem a gestão de leads, funil de relacionamento e histórico de contatos, organizando o conhecimento do cliente.
  • Mapeamento de dados e inteligência de mercado: legaltechs com foco em jurimetria, como legal insights ou deep legal, ajudam a prever tendências, precificar melhor e antecipar demandas jurídicas, tais como a Forelegal, criaAI, Dynadok e outras incríveis, basta pesquisar na nossa Holding Aleve LegalTech Ventures S/A.
  • Conteúdo como motor de relacionamento: ferramentas como JUIT e Cópia Legal ajudam a produzir conteúdo jurídico estratégico com base em tendências e dados regulatórios, fortalecendo autoridade e presença digital.
  • Automação e entrega customizada: legaltechs voltadas a contratos inteligentes, onboarding de clientes, geração de relatórios e dashboards (como Contracte.me ou Projuris Reports) permitem escalar a entrega sem perder a personalização.

BD Jurídico também é cultura organizacional

A implantação de uma mentalidade voltada ao desenvolvimento de negócios passa por mudança cultural. Os times jurídicos precisam:

  • Aproximar-se de áreas como marketing, comercial e tecnologia;
  • Adotar OKRs ou KPIs de crescimento;
  • Medir o valor percebido pelos clientes, e não só a excelência técnica;
  • Abrir-se à colaboração com startups e plataformas que tragam agilidade e foco em resultados.

O jurídico como centro de negócios e inovação

Startups legaltechs são, muitas vezes, as pontes entre o jurídico e o business. Elas não substituem advogados, mas potencializam a atuação jurídica com velocidade, dados e tecnologia de ponta.

Seja um escritório boutique, uma banca full service ou um departamento jurídico corporativo: o jurídico do futuro será aquele capaz de gerar valor direto ao negócio – seja economizando, mitigando riscos ou abrindo caminhos para novas receitas.

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E para isso, pensar em BD jurídico com apoio das legaltechs não é mais uma inovação – é uma necessidade estratégica.

*Priscila de Oliveira Spadinger é CEO da Aleve LegalTech Ventures S/A e colunista do Portal Lex Legal Brasil. Lidera iniciativas de inovação jurídica e acompanha de perto a jornada de dezenas de LegalTechs brasileiras.

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