Dólar fica acima de R$ 5,60 pela primeira em quase dois meses

Dólar fica acima de R$ 5,60 pela primeira em quase dois meses
Dólar fecha acima de R$ 5,60 e Ibovespa registra o pior mês desde dezembro após anúncio do tarifaço de Trump/Freepik
Publicado em 01/08/2025 às 8:30

Da redação de LexLegal

Um dia após o anúncio do tarifaço de 50% imposto pelo governo Donald Trump sobre exportações brasileiras, o mercado financeiro nacional viveu um cenário de instabilidade. Nesta quinta-feira (31), o dólar comercial fechou acima de R$ 5,60 pela primeira vez em quase dois meses, enquanto a bolsa de valores encerrou o pregão em queda, registrando o pior desempenho mensal desde dezembro.

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O dólar terminou o dia vendido a R$ 5,601, com alta de 0,19% (R$ 0,011). A moeda norte-americana chegou a tocar R$ 5,62 por volta das 10h30, caiu para R$ 5,58 às 13h10 e estabilizou-se em torno de R$ 5,60 no fim do dia. Foi o maior valor de fechamento desde 4 de junho, quando a cotação estava em R$ 5,64. No acumulado de julho, a alta foi de 3,07%, embora no ano a moeda ainda acumule queda de 9,37%.

Já o índice Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores brasileira (B3), recuou 0,69%, fechando aos 133.071 pontos. Em julho, a bolsa acumulou queda de 4,17%, configurando o pior desempenho mensal desde dezembro de 2024.

Pressões externas e internas

De acordo com analistas, fatores domésticos e internacionais explicam a volatilidade. O dólar ganhou força em todo o planeta após os Estados Unidos ampliarem por mais 90 dias as negociações comerciais com o México. O euro comercial manteve-se estável em R$ 6,39, refletindo também o impacto do acordo comercial entre os EUA e a União Europeia.

No mercado interno, a cotação do dólar foi influenciada pela definição da Taxa Ptax, a taxa média ponderada do último dia útil de cada mês. A Ptax é usada como referência para corrigir em reais as reservas internacionais e parte da dívida pública atrelada ao câmbio.

Além disso, a bolsa sofreu com o comunicado divulgado após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A autarquia indicou que não descarta elevar novamente a taxa básica de juros (Selic) caso a inflação volte a subir nos próximos meses. A possibilidade de juros mais altos tende a afastar investidores da bolsa, que preferem aplicações de renda fixa mais seguras.

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As sobretaxas anunciadas por Trump atingem em cheio setores estratégicos da economia brasileira, como o agronegócio, a indústria de base e o setor metalúrgico, gerando incertezas no comércio exterior. O impacto imediato foi sentido no câmbio e nos ativos negociados na bolsa, diante do temor de redução das exportações e de queda na balança comercial.

SÃO PAULO WEATHER