Reino Unido ameaça reconhecer Estado da Palestina até setembro caso Israel não aceite condições humanitárias

Reino Unido ameaça reconhecer Estado da Palestina até setembro caso Israel não aceite condições humanitárias
A decisão britânica foi divulgada cinco dias após a França também informar que fará o reconhecimento em setembro, tornando-se, junto com o Reino Unido, uma das primeiras potências ocidentais a adotar formalmente essa posição/Freepik
Publicado em 30/07/2025 às 7:30

Da redação de LexLegal

O governo do Reino Unido anunciou nesta terça-feira (29) que pretende reconhecer oficialmente a Palestina como Estado até setembro deste ano, caso Israel não aceite uma série de condições voltadas ao alívio da grave crise humanitária na Faixa de Gaza. A medida aumenta a pressão internacional sobre Tel Aviv, que se opõe historicamente à criação de um Estado palestino.

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A decisão britânica foi divulgada cinco dias após a França também informar que fará o reconhecimento em setembro, tornando-se, junto com o Reino Unido, uma das primeiras potências ocidentais a adotar formalmente essa posição. Atualmente, mais de 140 dos cerca de 190 países-membros da ONU já reconhecem a Palestina, incluindo o Brasil, que oficializou a decisão em 2010. Na Europa, apenas Eslovênia, Suécia, Espanha, Irlanda e Noruega adotaram esse reconhecimento.

primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, justificou a decisão com base na gravidade da situação humanitária em Gaza. “Em Gaza, devido a uma falha catastrófica na ajuda humanitária, vemos bebês famintos, crianças fracas demais para se manterem em pé, imagens que permanecerão conosco por toda a vida. O sofrimento precisa acabar”, afirmou.

As condições elencadas por Starmer ao governo de Benjamin Netanyahu incluem:

  • Adotar medidas concretas para conter a crise humanitária em Gaza;
  • Concordar com um cessar-fogo e avançar na perspectiva de uma solução duradoura de dois Estados;
  • Permitir que a ONU distribua ajuda humanitária nos territórios palestinos ocupados;
  • Garantir que não haverá anexações na Cisjordânia.

Além disso, o premiê reforçou que a posição em relação ao Hamas permanece a mesma: “Eles devem libertar imediatamente todos os reféns, assinar um cessar-fogo, desarmar-se e aceitar que não participarão do governo de Gaza”, completou.

A medida britânica foi criticada por Israel. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores de Israel classificou a decisão como uma “recompensa ao Hamas” e afirmou que a mudança de posição do governo britânico, após a ação francesa e pressões políticas internas, pode dificultar esforços para alcançar um cessar-fogo e um acordo para a libertação de reféns.

A pressão internacional ocorre em meio ao agravamento da fome e da crise humanitária em Gaza. Segundo a ONU, Israel tem usado a fome como arma de guerra, bloqueando a entrada de ajuda ao enclave palestino. O governo de Netanyahu nega a existência de fome, mas a afirmação é contestada até por aliados como Donald Trump.

Desde 7 de outubro de 2023, quando o Hamas lançou um ataque surpresa contra vilas no sul de Israel — resultando em 1,2 mil mortos e mais de 200 reféns — mais de 60 mil palestinos foram mortos em Gaza, segundo estimativas divulgadas nesta terça-feira.

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Paralelamente, uma conferência da ONU está sendo realizada nesta semana para discutir a solução de dois Estados, buscando medidas que tornem viável a coexistência pacífica de Israel e Palestina.

SÃO PAULO WEATHER