Federação Única dos Petroleiros critica Ibama por atraso em etapa final do licenciamento para exploração na Margem Equatorial

Federação Única dos Petroleiros critica Ibama por atraso em etapa final do licenciamento para exploração na Margem Equatorial
Ibama autoriza pesquisa exploratória da Petrobras na Margem Equatorial, região considerada sensível por ambientalistas e estratégica pelo governo federal/CEZAR FERNANDES
Publicado em 10/08/2025 às 7:00

Da redação de LexLegal

Federação Única dos Petroleiros (FUP) criticou a demora do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em definir sobre a exploração de petróleo na Margem Equatorial, considerada uma das novas fronteiras promissoras para a produção de óleo e gás no Brasil.

O Ibama, que integra o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, analisa um pedido da Petrobras para realizar a Avaliação Pré-Operacional (APO) — última etapa do licenciamento ambiental, que simula um vazamento de óleo para testar a capacidade de resposta da companhia. O encontro para tratar da APO foi marcado para 12 de agosto, mas a Petrobras havia solicitado antecipação.

Para o coordenador-geral da FUP, Deyvid Bacelar, não há justificativa técnica para o adiamento. Segundo ele, a demora impõe custos diários superiores a R$ 4 milhões com o aluguel da sonda de perfuração, parada há mais de 20 dias no litoral do Pará. “O Ibama é um órgão importante, com corpo técnico sério e competente, mas poderia ter agendado a APO já nesta semana”, disse.

Em nota, o Ibama afirmou que a data foi mantida porque há “inúmeras atividades preparatórias em curso” e ressaltou que o processo está sendo conduzido com rigor técnico e processual, especialmente por se tratar de uma região ambientalmente sensível, na bacia da Foz do Amazonas.

Disputa estratégica e ambiental

Margem Equatorial se estende do Rio Grande do Norte ao Amapá e tem atraído atenção após descobertas de petróleo nas costas da Guiana, Guiana Francesa e Suriname. No Brasil, a Petrobras possui poços autorizados apenas no Rio Grande do Norte, mas busca ampliar a exploração no bloco FZA-M-59, arrematado originalmente pela britânica BP em 2013 e transferido para a estatal em 2021.

O licenciamento ambiental para essa área foi negado pelo Ibama em 2023. A Petrobras entrou com pedido de reconsideração, argumentando que a exploração é estratégica para evitar a importação de petróleo na próxima década. Em resposta às exigências do órgão, a companhia instalou centros de tratamento de animais em Oiapoque (AP) e Belém (PA), para casos de vazamento.

Ambientalistas e parte da comunidade científica, no entanto, alertam para os riscos à biodiversidade e veem a abertura de novas frentes de petróleo como incompatível com a transição energética e as metas de redução de gases de efeito estufa.

Apesar do impasse, em junho a Agência Nacional do Petróleo (ANP) leiloou novos blocos exploratórios na região, mesmo sem a licença ambiental para o bloco pleiteado pela Petrobras.


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