Investimentos brasileiros nos EUA cresceram 52,3% em dez anos

Investimentos brasileiros nos EUA cresceram 52,3% em dez anos
Empresas brasileiras como expandem operações produtivas nos Estados Unidos e reforçam integração entre as duas economias/CNI/Divulgação
Publicado em 25/07/2025 às 8:00

Da redação de LexLegal

Um novo mapeamento divulgado nesta quinta-feira (24) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que ao menos 70 empresas brasileiras mantêm investimentos produtivos em 23 dos 50 estados dos Estados Unidos, demonstrando a crescente integração econômica entre os dois países. De acordo com o levantamento, os aportes brasileiros em território americano atingiram US$ 22,1 bilhões em 2024, representando uma alta de 52,3% em relação a 2014.

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O estudo da CNI mostra que, entre 2020 e 2024, empresas brasileiras anunciaram mais de US$ 3,3 bilhões em novas operações nos EUA, destacando-se nos setores de alimentos e bebidas (28%)plásticos (12,4%)produtos de consumo (9,8%)software e serviços de TI (9,6%) e metais (9,3%). Os números apontam para uma diversificação dos investimentos e uma estratégia empresarial de longo prazo no mercado americano.

Expansão geográfica e setorial

O levantamento também detalha a distribuição dos investimentos por estado. A Flórida lidera com 12 empresas brasileiras com operações produtivas, seguida por Georgia (7)Michigan, Minnesota, Missouri e Nova York (6 cada), além do Texas e do Tennessee (5 cada).

Entre as empresas que mais investiram entre 2020 e 2025 estão gigantes como a JBS, com US$ 807 milhões, a Omega Energia, com US$ 420 milhões, e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), com US$ 350 milhões. Também se destacam a Bauducco Foods (US$ 200 milhões) e a Embraer (US$ 192 milhões), que reforçam o protagonismo brasileiro em setores estratégicos da economia americana.

Novos investimentos em 2025

A pesquisa também traz dados atualizados sobre investimentos anunciados apenas nos cinco primeiros meses de 2025. A Embraer, por exemplo, está implantando um centro de manutenção no Texas, com previsão de US$ 70 milhões em investimentos e criação de 250 empregos. A JBS anunciou a construção de uma nova planta em Iowa, com investimento de US$ 135 milhões e 500 empregos diretos.

Outro destaque é a Sustainea, uma joint venture entre a Braskem e a japonesa Sojitz, que pretende investir US$ 400 milhões no estado de Indiana para desenvolver produtos sustentáveis com alta tecnologia.

Integração produtiva

De acordo com o mapeamento, cerca de 2.962 empresas brasileiras possuem algum tipo de operação ou investimento nos Estados Unidos, incluindo fábricas, centros de distribuição, subsidiárias e parcerias estratégicas. A CNI avalia que os dados reforçam a visão de que a relação econômica entre os países vai além do comércio de bens.

“Essa é a prova de que o setor produtivo brasileiro vê na integração com os Estados Unidos muito mais que comércio: vê parceria. O avanço dos investimentos de ambos os lados, ao longo dos anos, reforça o caráter complementar e os benefícios mútuos dessa relação”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Investimentos norte-americanos no Brasil

O relatório também mostra que 186 empresas norte-americanas anunciaram projetos de investimento no Brasil entre 2020 e 2025, com destaque para Bravo Motor Company (US$ 4,3 bilhões)Microsoft (US$ 3 bilhões)CloudHQ (US$ 3 bilhões)Amazon (US$ 2,8 bilhões) e New Fortress Energy (US$ 1,6 bilhão).

Entre os setores mais atrativos para o capital americano no país estão as áreas de comunicações (31%)indústria automotiva (13,5%)carvão, petróleo e gás (11,4%)serviços financeiros (10,9%) e energias renováveis (7,1%). A diversificação setorial e o aumento da confiança na economia brasileira são indicativos de um ambiente cada vez mais favorável à internacionalização de empresas e à cooperação tecnológica e energética entre os dois países.

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Especialistas apontam que esse movimento bilateral de investimento produtivo exige maior previsibilidade regulatória, acordos de proteção recíproca de investimentos e uma atuação mais ativa do Brasil em fóruns de arbitragem e mediação comercial.

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