Chega de apertadores de parafusos: o novo profissional das startups legaltechs é criativo, sistêmico e humano

Priscila de Oliveira Spadinger*

No universo das startups LegalTechs, onde inovação é moeda corrente e o futuro se constrói em tempo real, já não há mais espaço para profissionais que apenas “apertam parafusos”. O perfil técnico e ultra focado, que durante anos foi celebrado como a essência da excelência, hoje já não dá conta da complexidade dos desafios jurídicos contemporâneos. Precisamos, urgentemente, de profissionais criativos. E mais: precisamos de pessoas que pensem o negócio como um todo, e não apenas suas engrenagens isoladas.
Enquanto muitos ainda buscam especialistas de nicho, os negócios mais inovadores estão atrás de intelectuais práticos: pessoas com visão ideológica, capacidade holística, entendimento cultural e pensamento estratégico. É esse tipo de profissional que transforma um software jurídico em uma solução viva, que entende não só o fluxo processual, mas também o impacto humano, financeiro e reputacional de cada decisão jurídica.
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Nas LegalTechs, esse perfil criativo se traduz em times híbridos, compostos não só por juristas e engenheiros, mas por designers, comunicadores, analistas de dados e estrategistas. Times diversos e multidisciplinares são o motor da inovação, porque eles entendem que a tecnologia não é um fim em si mesma. Ao contrário: a tecnologia só faz sentido quando está a serviço de um propósito claro, coletivo e transformador.
No fundo, o que o mercado jurídico mais precisa hoje são de profissionais inteiros, que consigam conectar pessoas, processos e plataformas de forma ética, inteligente e sensível. Gente que compreende que o jurídico não é uma ilha e que inovação não acontece em laboratório, mas na fricção criativa entre realidades, dores e desejos. Gente que sabe ouvir o cliente, respeita a complexidade dos times e que enxerga valor em métricas, mas também em emoções.
A boa notícia é que esse novo perfil pode ser formado. Mas para isso, é preciso reeducar a cultura organizacional, abrir espaço para o erro criativo, promover ambientes seguros psicologicamente e abandonar a lógica do “quem manda e quem obedece”. Legaltech que quer crescer precisa de gente que pense com autonomia e colabore com consciência.
Não é mais sobre encontrar alguém que saiba tudo de uma lei, ou domine cada cláusula contratual. É sobre construir negócios jurídicos escaláveis, sustentáveis e humanos e, para isso, o talento que vale ouro é o que consegue integrar, conectar e imaginar o que ainda não foi feito.
Na nossa Holding Aleve LegalTech Ventures a grande maioria dos founders das nossas LegalTechs de maior sucesso são assim: formadas por times que com diversas formações de mercado e todos interagindo entre si, sempre com foco no que a empresa precisa, na dor que resolve não apaixonados somente pela solução.
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As startups LegalTechs que sobreviverão não serão as mais tecnológicas. Serão as mais criativas.
*Priscila de Oliveira Spadinger é CEO da Aleve LegalTech Ventures S/A e colunista do Portal Lex Legal Brasil. Lidera iniciativas de inovação jurídica e acompanha de perto a jornada de dezenas de LegalTechs brasileiras.
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