Nobel de economia publica artigo enaltecendo o PIX brasileiro

Nobel de economia publica artigo enaltecendo o PIX brasileiro
Banco Central diz que falha expôs dados cadastrais e abre investigação sobre braço financeiro da Pernambucanas/Agência Brasil
Publicado em 23/07/2025 às 7:30

Da redação de LexLegal

Em artigo publicado nesta terça-feira (22) no site Substack, o economista e ganhador do Prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman, elogiou o sistema de pagamentos instantâneos Pix, criado pelo Banco Central do Brasil, e apontou a resistência dos Estados Unidos em adotar um modelo semelhante. Intitulado “O Brasil inventou o futuro do dinheiro? E será que chegará para os EUA?”, o texto contrasta a eficiência do sistema brasileiro com as barreiras institucionais e políticas americanas.

Leia também: De Temer a Trump: a história do Pix, da construção técnica ao centro da geopolítica global

Krugman destaca que o Pix já é utilizado por 90% da população brasileira, permitindo transferências com liquidação em três segundos, a baixo custo — 0,33% do valor da transação para comerciantes, frente a 1,13% no débito e 2,34% no crédito. Segundo ele, esse desempenho supera amplamente os sistemas de pagamento dos EUA, onde o processamento de cartões pode levar de dois a 28 dias.

O artigo foi publicado em um momento delicado: o presidente Donald Trump fez críticas públicas ao Pix, alegando que o sistema prejudica empresas norte-americanas do setor financeiro. Krugman contrapôs a visão do presidente e ironizou a relutância dos EUA em modernizar seu sistema bancário, apontando a influência dos interesses corporativos no Congresso norte-americano.

“A maioria das pessoas provavelmente não considera o Brasil um líder em inovação financeira. Mas a economia política do Brasil é claramente muito diferente da nossa — por exemplo, eles realmente levam ex-presidentes que tentam anular eleições a julgamento. E os grupos de interesse cujo poder, pelo menos por enquanto, torna impossível uma moeda digital nos EUA parecem ter muito menos influência lá”, escreveu Krugman.

Além da crítica institucional, Krugman também observou que o Congresso americano aprovou um projeto de lei para impedir o Federal Reserve de criar uma moeda digital oficial, algo que, segundo ele, limita a capacidade de modernização financeira do país. O Brasil, por outro lado, já avança na implantação do Drex, a versão digital do real.

Para o economista, o sucesso do Pix deveria servir de modelo para outras nações, inclusive os Estados Unidos. No entanto, ele acredita que, dada a força dos lobbies financeiros e a influência ideológica pró-criptomoedas, os americanos devem continuar reféns de um sistema caro, lento e desigual.

Krugman termina seu texto reconhecendo que a inovação digital brasileira está anos à frente dos Estados Unidos no campo dos pagamentos, e que a resistência ao avanço tecnológico nos EUA não se dá por limitações técnicas, mas por entraves políticos e econômicos.

Veja também: EUA abrem investigação contra práticas comerciais do Brasil e miram sistema de pagamentos como o PIX

“Outras nações podem aprender com o sucesso do Brasil no desenvolvimento de um sistema de pagamento digital. Mas os EUA provavelmente permanecerão presos a uma combinação de interesses pessoais e fantasias com criptomoedas”, conclui.

SÃO PAULO WEATHER