Bolsonaro fala após colocar tornozeleira eletrônica e chama medida de “suprema humilhação”

Da redação de LexLegal
O ex-presidente Jair Bolsonaro classificou como “suprema humilhação” as medidas cautelares determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira (18), incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. A declaração foi feita em entrevista a jornalistas logo após a instalação do equipamento pela Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal.
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Ao deixar o local, Bolsonaro desceu do veículo oficial para conversar com a imprensa. Disse que nunca cogitou sair do Brasil ou buscar refúgio em embaixadas, em resposta à alegação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, sobre o risco de uma possível fuga do país. “Sair do país é a coisa mais fácil que tem”, afirmou o ex-presidente, reforçando: “O julgamento espero que seja técnico e não político, no mais nunca pensei em sair do Brasil, nunca pensei em ir para embaixada.”
O risco de evasão foi um dos fundamentos utilizados por Moraes para justificar as medidas restritivas. O passaporte de Bolsonaro já havia sido apreendido em fevereiro de 2024, como parte do processo da Ação Penal 2.668, que investiga a tentativa de golpe de Estado para mantê-lo no poder após a derrota nas eleições de 2022. A decisão do STF também aponta possível obstrução de Justiça e atuação coordenada com aliados no exterior para coagir o Judiciário brasileiro.
As medidas cautelares impostas incluem: uso contínuo de tornozeleira eletrônica; recolhimento domiciliar noturno, das 19h às 6h, durante a semana, e em tempo integral aos finais de semana e feriados; proibição de deixar a comarca do Distrito Federal; e restrições severas à comunicação. Bolsonaro está impedido de acessar redes sociais e de manter contato com o filho Eduardo Bolsonaro, embaixadores, autoridades estrangeiras e representantes diplomáticos.
Questionado sobre a motivação das medidas, o ex-presidente respondeu: “No meu entender o objetivo é a suprema humilhação”.
Sobre os valores encontrados em sua residência no Jardim Botânico, em Brasília — US$ 14 mil e R$ 8 mil em espécie — Bolsonaro afirmou que “sempre guardou dólar em casa” e garantiu que pode comprovar a origem do dinheiro. Já em relação ao pen drive apreendido no banheiro da residência, disse: “Não tenho conhecimento.”
A fala de Bolsonaro ocorre em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal sobre um suposto complô para subverter a ordem democrática no país, com base em articulações políticas e militares após as eleições de 2022. O ex-presidente nega envolvimento em qualquer tentativa de golpe e afirma que o inquérito possui viés político: “O inquérito do golpe é um inquérito político, nada de concreto existe ali”.
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A imposição de tornozeleira eletrônica contra um ex-presidente é um fato inédito na história republicana brasileira e reacende o debate sobre os limites entre segurança institucional, garantias individuais e a atuação do Judiciário em casos de alta repercussão política. A medida reforça o cerco judicial ao entorno bolsonarista, marcado por suspeitas de desinformação, cooptação de militares e uso indevido de canais diplomáticos para fins políticos.