Bolsonaro é alvo de operação da PF, recebe tornozeleira e tem redes bloqueadas por ordem do STF

Bolsonaro é alvo de operação da PF, recebe tornozeleira e tem redes bloqueadas por ordem do STF
Ex-presidente Jair Bolsonaro é submetido a medidas cautelares que restringem sua mobilidade e comunicação, por ordem do Supremo Tribunal Federal/Agência Brasil
Publicado em 18/07/2025 às 9:45

Da redação de LexLegal

Polícia Federal cumpriu na manhã desta sexta-feira (18) dois mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como parte de uma investigação em curso no Supremo Tribunal Federal (STF). A operação, autorizada pelo ministro relator no âmbito da Petição nº 14129, impôs medidas cautelares severas, entre elas o uso de tornozeleira eletrônicarestrições de comunicação e toque de recolher noturno.

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A informação foi inicialmente divulgada em uma nota oficial da Polícia Federal, que confirmou o cumprimento dos mandados e outras medidas autorizadas pelo STF. Em seguida, o líder do Partido Liberal na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante, publicou em suas redes sociais que Bolsonaro já está utilizando a tornozeleira eletrônica.

Entre as restrições impostas ao ex-presidente, estão a proibição de acessar redes sociais, de manter contato com embaixadores e diplomatas estrangeiros, ou mesmo com outros investigados e réus no STF — incluindo o deputado Eduardo Bolsonaro, seu filho. Ele também foi impedido de frequentar embaixadas e terá que cumprir recolhimento domiciliar noturno, permanecendo em casa entre 19h e 7h.

A operação ocorre uma semana após o STF instaurar inquérito para apurar suspeitas de coação no curso do processo, obstrução de investigação e possíveis ataques à soberania nacional. A nova ofensiva da PF atinge o núcleo político do ex-presidente e inclui diligências em endereços ligados ao Partido Liberal (PL), sigla à qual Bolsonaro é filiado.

Em nota, a defesa do ex-presidente criticou a decisão judicial. “A defesa do ex-Presidente Jair Bolsonaro recebeu com surpresa e indignação a imposição de medidas cautelares severas contra ele, que até o presente momento sempre cumpriu com todas as determinações do Poder Judiciário. A defesa irá se manifestar oportunamente, após conhecer a decisão judicial”, afirmou a equipe jurídica.

A medida amplia o cerco judicial em torno de Bolsonaro, que já é alvo de outros inquéritos no STF, incluindo investigações sobre condutas durante a pandemia, alegações de incitação ao golpe de Estado e o uso da estrutura presidencial para fins eleitorais. Fontes próximas ao tribunal indicam que o objetivo das medidas atuais é interromper possíveis tentativas de interferência no andamento das investigações, especialmente por meio de interlocuções com autoridades estrangeiras ou redes sociais.

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A imposição de tornozeleira eletrônica a um ex-presidente da República é um fato inédito no cenário político brasileiro recente, e reflete o grau de preocupação do STF com a possibilidade de obstrução de Justiça. Bolsonaro, que tem mantido uma agenda pública discreta nos últimos meses, agora se vê limitado em suas interações e sob monitoramento eletrônico constante.

Para o criminalista Anderson Almeida, a medida tem base jurídica clara. “A imposição de medidas cautelares a Jair Bolsonaro, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de manter contato com outros investigados, é juridicamente fundamentada no artigo 319 do Código de Processo Penal (CPP), que elenca as medidas cautelares diversas da prisão, e no princípio da adequação, necessidade e proporcionalidade no processo penal. A condição de ex-presidente, embora politicamente relevante, não o isenta da aplicação de cautelares quando presentes os requisitos legais”, explica.

Segundo o advogado, a jurisprudência do STF já consolidou precedentes semelhantes envolvendo autoridades de alto escalão. “Ela não só reforça a independência do Judiciário e a universalidade do alcance da lei, como também contribui para a construção de uma jurisprudência mais clara sobre o caráter sistêmico e articulado da obstrução de justiça no Brasil contemporâneo. No julgamento do Mensalão, o STF reconheceu a possibilidade de que altos cargos sejam usados para manipular provas, e aplicou penas duras. O mesmo se repetiu na Lava Jato, com tornozeleiras, restrições de contato e prisões, inclusive de ex-presidentes”, diz.

Anderson Almeida também alerta para os efeitos institucionais da decisão, ainda em fase pré-processual. “A imposição de tornozeleira eletrônica e restrições de liberdade a um ex-presidente da República antes mesmo de uma denúncia formal tem implicações institucionais e políticas de grande alcance. Ela tensiona os limites entre garantismo penal e defesa da ordem democrática. A chave está no equilíbrio entre firmeza e cautela: se o STF demonstrar que atua com base em elementos concretos, sem espetacularização, a medida poderá reconfigurar positivamente o papel da Justiça no Brasil”, ressalta.

A repercussão política foi imediata, mas os reflexos também já começaram a se desenhar no mercado financeiro. Para o economista André Perfeito, o episódio deve trazer instabilidade nas próximas sessões. “Não nos interessa os motivos para esta ação pelo STF e PF neste momento, o importante é reconhecer que isso terá efeitos no mercado financeiro nos próximos dias, talvez até hoje”, afirma.

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Até o momento, não foram divulgadas as provas ou elementos específicos que motivaram a decisão do Supremo, mas a expectativa é que os autos da petição sejam parcialmente tornados públicos nos próximos dias. A operação intensifica ainda mais o clima de tensão entre o Judiciário e setores aliados do ex-presidente, que prometem reação política e institucional.

SÃO PAULO WEATHER