Trump não quer ser “imperador do mundo”, diz Casa Branca após críticas de Lula

Trump não quer ser “imperador do mundo”, diz Casa Branca após críticas de Lula
Casa Branca responde a Lula e diz que Trump não quer ser “imperador do mundo”; tarifa de 50% sobre produtos brasileiros começa em agosto/Reprodução
Publicado em 18/07/2025 às 8:00

Da redação de LexLegal

As tensões entre Brasília e Washington escalaram nesta quinta-feira (17) após declarações contundentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da resposta direta da Casa Branca. Durante entrevista à CNN Internacional, Lula criticou o presidente norte-americano Donald Trump, afirmando que ele foi eleito para governar os Estados Unidos, “não para ser o imperador do mundo”. A resposta veio horas depois: a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, rebateu dizendo que Trump “não está tentando ser o imperador do mundo” e que atua como um “presidente forte” e “líder do mundo livre”.

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A troca de declarações ocorre em meio a uma nova crise comercial provocada pela decisão do governo norte-americano de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto. As medidas atingem setores estratégicos como café, carne, aço e minério, e têm sido justificadas por Washington como reação a práticas brasileiras consideradas “injustas”, incluindo regras ambientais, ausência de proteção à propriedade intelectual e supostas barreiras ao setor financeiro internacional.

“O Brasil está disposto a negociar com os norte-americanos, mas não aceitará nada que lhe seja imposto”, afirmou Lula durante a entrevista à jornalista Christiane Amanpour, destacando que o país mantém sua soberania e não aceitará atitudes unilaterais.

Pix na mira da Casa Branca

Entre os principais alvos da ofensiva norte-americana está o Pix, sistema de pagamento instantâneo criado pelo Banco Central do Brasil e adotado amplamente por consumidores e empresas brasileiras desde 2020. Segundo o governo dos EUA, o Pix teria criado uma “desvantagem competitiva” para empresas do setor financeiro, especialmente as que operam com bandeiras internacionais de cartão de crédito, como Visa e Mastercard.

A investigação comercial aberta pelos Estados Unidos questiona não só o Pix, mas também políticas ambientais e digitais adotadas pelo Brasil. O argumento norte-americano é de que a combinação entre o sistema gratuito de transferências, a regulação digital “deficiente” e a permissividade com o desmatamento cria um ambiente hostil para empresas estrangeiras.

Além disso, grandes empresas de tecnologia — conhecidas como big techs — também estariam sendo prejudicadas por regulamentações locais, motivo que justificaria, segundo o governo Trump, uma resposta comercial mais agressiva.

Brasil articula reação diplomática e jurídica

O governo brasileiro, por sua vez, considera as alegações norte-americanas como infundadas e politicamente motivadas. Segundo fontes do Palácio do Planalto, o Itamaraty já montou uma força-tarefa com representantes da indústria, da agricultura e do setor financeiro para construir uma resposta institucional coordenada.

Entre as opções avaliadas está o acionamento da Lei de Reciprocidade, dispositivo legal que permite ao governo brasileiro aplicar barreiras equivalentes contra produtos de países que adotem medidas unilaterais contra o Brasil. A lei foi pouco utilizada nas últimas décadas, mas pode ganhar protagonismo se as tarifas anunciadas por Trump forem efetivamente aplicadas em agosto.

Segundo integrantes da equipe econômica, o objetivo é demonstrar que o Brasil não aceitará ser tratado como mercado periférico e buscará a preservação de seus interesses comerciais por meio de diálogo diplomático, mas também com firmeza institucional.

Clima tenso às vésperas de eleições nos EUA

O pano de fundo das tensões é também político. A imposição de tarifas e o tom combativo do presidente Donald Trump fazem parte da sua estratégia de campanha à reeleição, voltada ao eleitorado industrial e rural norte-americano. Ao apontar o Brasil como “concorrente desleal”, Trump tenta se posicionar como defensor dos empregos americanos — mesmo que às custas de uma escalada protecionista.

A resposta firme do presidente Lula também dialoga com o público interno e internacional, ao reafirmar a posição do Brasil como um ator global com autonomia. Ao ser entrevistado por uma das principais jornalistas da CNN Internacional, o presidente brasileiro buscou mostrar que o país não será submisso às potências tradicionais e defenderá seu modelo econômico.

O que esperar nas próximas semanas

Especialistas em comércio internacional apontam que o embate pode gerar repercussões na Organização Mundial do Comércio (OMC), embora o funcionamento do órgão esteja parcialmente comprometido pela ausência de juízes nomeados pelos próprios Estados Unidos para seu Órgão de Apelação.

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A expectativa é de que o Brasil intensifique seus esforços de diplomacia econômica junto a outros parceiros — como União Europeia, China e Mercosul — para conter os efeitos das medidas unilaterais norte-americanas e fortalecer sua posição como potência agroexportadora e defensora da economia digital.

SÃO PAULO WEATHER