Brasil reage a críticas dos EUA e rejeita “intromissão inaceitável” em decisões do Judiciário

Brasil reage a críticas dos EUA e rejeita “intromissão inaceitável” em decisões do Judiciário
Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, condena declarações do governo norte-americano sobre o STF e reafirma soberania brasileira/Lula Marques/Agência Brasil
Publicado em 16/07/2025 às 7:00

Da redação de LexLegal

O Ministério das Relações Exteriores divulgou nota oficial nesta terça-feira (15) em que o governo brasileiro condena as recentes manifestações públicas do Departamento de Estado dos Estados Unidos e da embaixada norte-americana em Brasília. Para o Itamaraty, as declarações representam uma “intromissão indevida e inaceitável” em assuntos internos do país, especialmente no que se refere à atuação do Poder Judiciário.

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A nota, assinada pela chancelaria liderada por Mauro Vieira, afirma que tais manifestações “não condizem com os 200 anos da relação de respeito e amizade entre os dois países” e critica a politização das recentes tensões bilaterais. O governo brasileiro reforça que está aberto ao diálogo comercial com os Estados Unidos desde março, especialmente após o anúncio das tarifas de 50% impostas pelo presidente Donald Trump a produtos brasileiros. “A equivocada politização do assunto não é de responsabilidade do Brasil, país democrático cuja soberania não está e nem estará jamais na mesa de qualquer negociação”, declarou o Itamaraty.

A resposta do governo federal ocorre após publicação feita pelo Departamento de Estado norte-americano na rede X (antigo Twitter), na qual são criticadas declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. O post considerou os ataques “uma vergonha” e “abaixo da dignidade das tradições democráticas do Brasil”.

A crítica internacional acontece em meio ao avanço da investigação contra Bolsonaro no Supremo. Na segunda-feira (14), a Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou ao ministro Alexandre de Moraes as alegações finais no caso que envolve o ex-presidente e mais sete réus apontados como integrantes do núcleo político da tentativa de golpe. O julgamento do grupo está previsto para ocorrer em setembro.

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