Tarifas de Trump dividem opinião dos brasileiros e pressionam política externa do governo Lula

Tarifas de Trump dividem opinião dos brasileiros e pressionam política externa do governo Lula
A levantamento mostra apoio majoritário à resposta do governo, desejo de retaliação proporcional e reprovação à postura de Trump/Freepik
Publicado em 15/07/2025 às 10:57

Uma pesquisa realizada pelo instituto AtlasIntel, em parceria com a Bloomberg, entre os dias 11 e 13 de julho de 2025, revela como os brasileiros estão reagindo ao novo tarifaço anunciado pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump sobre produtos do Brasil. O levantamento traz dados detalhados sobre a percepção da população brasileira em relação à política externa do governo Lula, a imagem dos Estados Unidos, a aprovação presidencial e o apoio às medidas de retaliação.

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A levantamento mostra apoio majoritário à resposta do governo, desejo de retaliação proporcional e reprovação à postura de Trump. Ao mesmo tempo, reforça a visão favorável do povo brasileiro em relação aos EUA, indicando que a crise comercial, se bem administrada, pode fortalecer a posição do Brasil no cenário internacional sem romper os laços históricos com seu principal parceiro comercial ocidental.

A amostra da pesquisa compreendeu 2.841 respondentes, representando a população adulta brasileira com margem de erro de 2 pontos percentuais. Realizada por meio de recrutamento digital aleatório (Atlas RDR), a metodologia permite captação ampla e anônima das opiniões, evitando influências do entrevistador ou de terceiros.

Segundo o levantamento, 49,7% dos entrevistados aprovam o desempenho do presidente Lula, enquanto 44,8% desaprovam e 5,5% não souberam opinar. A avaliação do governo como um todo também apresenta um saldo positivo, embora com variações conforme escolaridade e renda.

Quanto à política externa do governo, 46,9% disseram aprovar, 42,4% desaprovam e 10,7% não souberam responder. O dado mostra um leve favoritismo à diplomacia lulista, mas também aponta divisão. Quando questionados se Lula representa o Brasil melhor ou pior que Bolsonaro em plano internacional, 48,2% responderam “melhor”, contra 39,6% que disseram “pior”.

O impacto da decisão de Trump de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros também aparece com destaque na pesquisa. Para 62,9% dos brasileiros, a medida é injustificada, enquanto apenas 20,4% a consideram justificada. Entre os que desaprovam, 52,7% acreditam que a motivação de Trump foi puramente eleitoral, relacionada à campanha pela reeleição.

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A pesquisa também indica que 66,1% dos brasileiros veem a medida como uma ameaça à soberania nacional. E 58,2% avaliam negativamente a decisão dos EUA, acreditando que o impacto das tarifas será prejudicial para a economia brasileira. Apenas 16,3% avaliam positivamente os efeitos econômicos.

Sobre a reação do governo brasileiro, 42,7% consideram adequada, 36,9% acham insuficiente e 20,4% avaliam como exagerada. Essa divisão mostra que o Planalto ainda tem espaço para consolidar apoio popular na condução do conflito comercial.

A possibilidade de retaliação brasileira também foi abordada. Para 54,8% dos entrevistados, o Brasil deve reagir com medidas proporcionais. Os mais citados caminhos de retaliação foram o aumento de tarifas sobre produtos dos EUA (36,1%) e a suspensão de concessões comerciais (22,7%). Medidas mais agressivas, como suspensão de royalties ou bloqueio de marcas, tiveram menor apoio, mas foram mencionadas.

Em relação à imagem dos EUA e de Donald Trump, a pesquisa também traz dados relevantes. Apenas 29,4% dos brasileiros têm uma imagem positiva do ex-presidente americano, enquanto 61,7% o avaliam negativamente. A visão sobre os Estados Unidos como nação, no entanto, continua majoritariamente positiva: 52,8% têm imagem favorável, contra 34,2% negativa.

Apesar das tarifas, a maioria dos brasileiros (57,5%) acredita que o Brasil deveria manter uma relação mais próxima com os EUA, embora 23,7% prefiram um alinhamento mais estreito com a China. Esse dado sugere uma visão pragmática da população, que separa o governo Trump da relação diplomática com os EUA.

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Por fim, a pesquisa mostra que 48,4% dos entrevistados acreditam que o governo federal conseguirá negociar um acordo com os EUA para reduzir as tarifas. Já 32,1% se mostram céticos. A expectativa por uma solução diplomática ainda é dominante, mas acompanhada de cautela.

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