Banco Central atribui inflação acima da meta a energia, café e aquecimento da economia

Da redação de LexLegal
O Banco Central divulgou uma carta pública explicando os motivos que levaram o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) a ultrapassar o teto da meta de inflação no primeiro semestre. Entre os principais fatores, a autoridade monetária destacou o aumento de preços de produtos como o café, a bandeira tarifária de energia elétrica e o aquecimento da economia brasileira.
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Desde que o regime de metas contínuas entrou em vigor no início de 2025, o Banco Central está obrigado a publicar uma carta aberta sempre que o IPCA acumular alta acima de 4,5% por seis meses consecutivos. A meta para o ano é de 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Em junho, o índice atingiu 0,24% no mês e acumulou 5,35% em 12 meses, ultrapassando o limite superior da meta.
“Houve altas mais intensas que as antecipadas no preço da gasolina, na inflação subjacente dos preços de serviços, nos preços de alimentos industrializados, em particular do café, e nos preços de alguns bens industriais, como os do vestuário e de automóveis”, afirmou o Banco Central no documento.
Além disso, a autoridade monetária apontou surpresas na inflação de preços administrados, como energia elétrica, impulsionada pela piora no cenário hídrico. Por outro lado, os preços de alimentos consumidos em casa ficaram abaixo do esperado. “Essa surpresa em preços administrados foi mais do que compensada por variações mais baixas que o esperado em alimentação no domicílio”, acrescentou o BC.
A carta também apresentou uma decomposição dos fatores que contribuíram para o desvio de 2,35 pontos percentuais em relação ao centro da meta:
Inércia da inflação dos 12 meses anteriores: +0,69 p.p.
Expectativas de inflação: +0,58 p.p.
Hiato do produto (economia operando acima da capacidade): +0,47 p.p.
Inflação importada: +0,46 p.p.
Bandeira tarifária de energia elétrica: +0,27 p.p.
Outros fatores: -0,12 p.p.
O BC reafirmou que a inflação deve permanecer acima da meta durante grande parte de 2025, só retornando ao intervalo de tolerância no primeiro trimestre de 2026. “Nesse cenário, projeta-se que a inflação acumulada em quatro trimestres ficará na faixa de 5,4% a 5,5% nos três primeiros trimestres de 2025, cairá para 4,9% no final do ano e atingirá 4,2% no final do primeiro trimestre de 2026”, diz a carta.
Para conter a pressão inflacionária, a Taxa Selic foi mantida em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006. O BC sinalizou que a política monetária deve permanecer contracionista por um período “bastante prolongado”, especialmente em um contexto de “expectativas desancoradas”.
“O Copom enfatizou que segue vigilante, que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e que não hesitará em prosseguir no ciclo de alta, caso julgue apropriado”, alertou a instituição.
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A Selic é revisada a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A permanência dos juros em níveis elevados busca assegurar que a inflação retorne ao centro da meta, mesmo em um cenário adverso.