Brasil corre risco de apagão no fim do dia sem novos leilões de energia, alerta ONS

Brasil corre risco de apagão no fim do dia sem novos leilões de energia, alerta ONS
Com alta de fontes intermitentes, Brasil pode enfrentar dificuldades para atender demanda de energia no fim do dia, diz ONS/Marcelo Camargo/Agência Brasil
Publicado em 13/07/2025 às 16:00

Da redação de LexLegal

O Brasil corre o risco de não conseguir suprir a demanda por energia elétrica nos horários de pico, especialmente no fim do dia, nos próximos cinco anos, caso não avance com a realização de leilões específicos para contratar potência. O alerta consta no Plano da Operação Energética (PEN 2025), divulgado nesta semana pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), com projeções para o período de 2025 a 2029.

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De acordo com o documento, o crescimento da geração de energia no país tem sido liderado por fontes intermitentes, como solar e eólica, além da mini e microgeração distribuída (MMGD). No entanto, essas fontes praticamente não operam durante a noite, justamente no horário de maior demanda de potência.

Como solução imediata, o ONS prevê o uso mais intenso de usinas térmicas flexíveis e, caso o cenário persista, pode recomendar até mesmo o retorno do horário de verão — extinto em 2019 — como medida auxiliar. Segundo o operador, a recomendação dependerá da evolução das projeções para os próximos meses.

“Observa-se, em todo o horizonte, necessidade de elevado despacho térmico adicional ao previsto para atendimento energético, sendo que grande parte dos cenários já indica a necessidade de utilização da reserva de potência ao longo do segundo semestre de 2025”, aponta o PEN 2025.

Mudança na matriz exige flexibilidade

A expectativa é que a capacidade instalada nacional cresça 36 GW até 2029, totalizando 268 GW. A fonte solar, somada à MMGD, deve representar 32,9% da matriz elétrica ao final do período, tornando-se a segunda maior do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Esse novo perfil de geração exige maior flexibilidade das usinas controláveis, como as hidrelétricas, e uso de termelétricas em horários de baixa produção das fontes renováveis. Apesar disso, o ONS descarta investir em térmicas inflexíveis ou de longa resposta.

“O SIN tem demandado cada vez mais requisitos de flexibilidade e, desta forma, o ONS precisa ter à disposição elementos de despachabilidade adequados às rápidas variações de potência requeridas para o atendimento à variação da demanda e das fontes intermitentes ao longo do dia”, explicou o órgão.

Leilões travados

O Plano reforça a urgência da realização de leilões anuais de reserva de capacidade. Um certame desse tipo, previsto para agosto de 2023, acabou suspenso após judicialização das regras. Em abril deste ano, o Ministério de Minas e Energia revogou a portaria que regulamentava o processo, cancelando, na prática, a disputa.

Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), caso uma nova portaria seja publicada, o leilão será organizado com base nos estudos e contribuições públicas já realizados. “Todo o aprendizado e os documentos redigidos no processo, como a consulta pública realizada pela Agência, poderão ser utilizados como base”, afirmou a reguladora.

Riscos crescentes

No horizonte estrutural (2026–2029), o PEN identificou risco de violação da garantia de suprimento de potência (LOLP) em diversos períodos, como entre agosto de 2026 e dezembro de 2026, e entre julho de 2028 e dezembro de 2029. Segundo o ONS, essas violações vêm se aprofundando ano a ano.

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Além disso, o crescimento de cargas especiais — como datacenters e plantas de hidrogênio verde — preocupa os operadores por exigirem alta demanda energética com pouca flexibilidade operacional.


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