Foma, liderança feminina e o dilema de querer ver tudo

Priscila Oliveira (Spadinger)*

Você já ouviu falar em FOMA?
Não, não me confundi. Não é FOMO – fear of missing out. É FOMA: fear of missing anything. Um pseudo transtorno que me foi apresentado recentemente por uma mente brilhante — nosso recém-empossado Chairman do Conselho da Aleve LegalTech Ventures, cujo nome ainda vou guardar por alguns dias (mas prometo: vocês vão ouvir muito falar dele). Desde então, o termo ficou ecoando na minha cabeça. E, honestamente, me descreve perfeitamente.
FOMA é esse impulso quase obsessivo de querer ver tudo, o tempo todo. É achar que preciso acompanhar cada métrica, cada reunião, cada insight, cada virada de rota de cada startup. Afinal, como CEO de uma venture builder que atua no olho do furacão da inovação jurídica, meu dia a dia é uma maratona mental – e emocional.
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Hoje, por exemplo, acordei com a notícia do maior M&A da história das LegalTechs no mundo: a CS Disco comprando a Onna por US$ 165 milhões. Sim, você leu certo: cento e sessenta e cinco milhões de dólares = praticamente R$1 bi.
E o que eu senti? Orgulho, claro. Mas também… FOMA.
Porque quando vejo nosso setor ganhando essa escala, protagonizando movimentos de mercado que até pouco tempo pareciam distantes da realidade latino-americana, bate aquela urgência de querer estar em todas as conversas, de não deixar passar nenhuma oportunidade. De não correr o risco de estar desatualizada, ou, pior: irrelevante.
Essa sensação não é só minha. Converso com muitas outras líderes, especialmente mulheres, que carregam esse mesmo peso: o de dar conta de tudo, de controlar tudo, de não deixar escapar nada. O que em tese parece eficiência, na prática vira exaustão mental, culpa e uma espécie de hiperconexão improdutiva.
Mas estou aprendendo, aos poucos (e às vezes na marra), que liderar com FOMA não é sustentável. Que confiar, delegar e priorizar é parte do jogo. Que não ver tudo não significa perder. Significa escolher.
E que visão estratégica, principalmente na nova economia, não é estar em todos os lugares, mas saber onde sua presença realmente muda o jogo.
O futuro da liderança feminina, e também o presente, exige essa consciência. Porque se a gente quiser ver tudo, vai acabar não enxergando nada.
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Se você também sofre de FOMA, respira. Você não está sozinha. Talvez este texto já seja o primeiro convite para você soltar um pouco o controle e focar no que só você pode entregar.
*Priscila Oliveira Spadinger é CEO da Aleve LegalTech Ventures S/A, investidora-anjo, conselheira de startups e colunista do Portal Lex Legal Brasil.
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