Operação mira quadrilha envolvida em roubo de petróleo bruto

Operação mira quadrilha envolvida em roubo de petróleo bruto
Operação da Polícia Civil do RJ e Ministério Público prende suspeitos de perfuração clandestina de duto da Transpetro nas imediações do Rio Paraíba do Sul/Freepik
Publicado em 03/07/2025 às 16:00

Da redação de LexLegal

A Polícia Civil do Rio de Janeiro, em parceria com o Ministério Público estadual, realizou mais uma operação contra o furto de petróleo e derivados nos dutos da Petrobras Transporte (Transpetro). A ação teve como alvo um grupo especializado que, segundo as investigações, atua de forma estruturada há anos, mesmo após ter sido atingido por diversas outras operações policiais.

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Com mandados expedidos pela Justiça, os agentes cumpriram ordens de prisão preventiva e busca e apreensão em Além Paraíba, cidade localizada na Zona da Mata mineira. Dois integrantes da quadrilha foram presos.

A investigação teve início após uma tentativa de furto de petróleo bruto em agosto de 2024, no município de Rio das Flores, interior fluminense. Na ocasião, técnicos da Transpetro identificaram movimentações suspeitas e localizaram um túnel escavado com cerca de sete metros de extensão. O objetivo era acessar clandestinamente a tubulação para realizar o desvio de combustível.

A técnica usada no crime é conhecida como trepanação — consiste em perfurar o duto para instalar uma válvula que possibilita o desvio direto do produto. Essa prática representa não apenas um prejuízo financeiro à estatal, como também uma séria ameaça ao meio ambiente. No caso específico de Rio das Flores, a perfuração ocorreu nas proximidades do Rio Paraíba do Sul, manancial essencial para o abastecimento de água em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

A ação criminosa foi frustrada graças à articulação entre o setor de segurança da Transpetro e a Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD). Com isso, foi possível impedir um possível desastre ambiental de grandes proporções.

Conforme revelou o inquérito, os suspeitos utilizavam uma rede de instrumentos para dificultar a identificação dos verdadeiros autores dos crimes. Entre as estratégias estavam o uso de veículos alugados em nome de terceiros, contas bancárias de laranjas e comunicação criptografada. Apesar das tentativas de anonimato, as provas reunidas demonstraram a atuação contínua dos líderes do grupo, com envolvimento direto no planejamento, financiamento e execução dos furtos.

A reincidência também chamou atenção: os criminosos já haviam sido alvo de cinco operações anteriores, o que demonstra a continuidade das atividades ilegais mesmo após a imposição de medidas cautelares. A nova operação pretende, além de punir os envolvidos, desarticular permanentemente a estrutura da organização.

Em nota, a Transpetro reiterou ser vítima do crime de furto de petróleo e derivados em sua malha de dutos e destacou a prioridade da companhia com a segurança da população e a preservação ambiental. A empresa explicou que tem adotado uma estratégia baseada em três eixos para enfrentar o problema: tecnologia, engajamento comunitário e articulação com a segurança pública.

No campo tecnológico, a empresa informou que conta com o suporte do Centro Nacional de Controle e Logística (CNCL), que permite identificar rapidamente qualquer derivação clandestina nas linhas. Além disso, a Transpetro desenvolve ações de relacionamento com as comunidades vizinhas aos dutos, alertando sobre os riscos e promovendo a conscientização. Um dos pilares dessa iniciativa é o canal de denúncias gratuito 168, por meio do qual a população pode relatar atividades suspeitas.

Por fim, a companhia mantém convênios com órgãos de segurança pública para ações integradas de monitoramento e repressão. “Essa estratégia tem resultado numa redução nos números de derivações clandestinas. Desde 2020, reduzimos em cerca de 90% o número de furtos e suas tentativas nas nossas faixas. Em 2020, foram 201 ocorrências e, no ano passado, 25”, afirmou a Transpetro, por meio de nota.

Apesar da redução significativa no número de casos, a atuação persistente de quadrilhas especializadas mostra que o desafio permanece. Além dos danos materiais, o furto em dutos representa um risco elevado de explosões, vazamentos e contaminação ambiental — sobretudo em regiões próximas a rios e áreas de proteção ambiental.

Especialistas apontam que o combate eficaz a esse tipo de crime exige não apenas reforço na segurança física e digital das instalações, mas também mudanças estruturais nas penas aplicadas a organizações reincidentes. O caso atual, com seis operações direcionadas ao mesmo grupo, revela fragilidades na capacidade do sistema judicial de impedir a continuidade dos delitos.

A Polícia Civil informou que as investigações seguem em curso, com a expectativa de novos desdobramentos nos próximos dias. O material apreendido na operação poderá ajudar a identificar outras ramificações da quadrilha e ampliar a responsabilização criminal dos envolvidos.

O Ministério Público também pretende propor medidas para aprimorar a cooperação entre empresas públicas e o sistema de Justiça, com foco em crimes ambientais e contra o patrimônio público.

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Enquanto isso, a Transpetro reforça o apelo para que a população continue colaborando com denúncias. “A informação rápida é a chave para evitar tragédias e assegurar que o sistema de transporte de combustíveis funcione com segurança para todos”, conclui a empresa.

SÃO PAULO WEATHER