Do skate ao surf: por que adaptar-se virou regra na vida, na carreira e nas organizações

Do skate ao surf: por que adaptar-se virou regra na vida, na carreira e nas organizações
Na advocacia corporativa precisamos estar sempre “um passo a frente” das demandas que recebemos das empresas e do que elas precisam, esperam e querem da nossa categoria profissional/Freepik
Publicado em 25/06/2025 às 3:00

Leonardo Barém Leite*

Uma das grandes competências (ou qualidades), que se tornaram vantagens competitivas, da espécie humana é a capacidade de adaptação, e há algum tempo passamos a usar algumas metáforas para representar essa realidade – que se torna cada vez mais dinâmica e complexa.

No tocante à formação de times e de equipes, por exemplo, já faz tempo que muitos de nós passamos a utilizar, por exemplo, o conceito do “barco a remo”, que precisa conciliar não apenas o trabalho de um grupo, mas o seu resultado geral, que contempla diversas outras variáveis (além do esforço e do trabalho individual), como remar ao mesmo tempo, na mesma intensidade e cadência, com a mesma força, e na mesma direção. E, ainda, que é o resultado geral/final que de fato conta, pois ou toda a equipe vence (ou atinge as metas), ou perde.

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No universo corporativo, é preciso adicionar algumas variáveis como a mudança do cenário, do contexto, e das demais variáveis, o que levou vários de nós a passar a utilizar um “grau acima” de complexidade, que aproxima o “remo” tradicional (em lagoas ou raias controladas, ou ainda em rios “calmos”) do “rafting” (em função da força das águas, das pedras e das corredeiras) – o que gera maior “emoção”, mas também riscos e desafios.

Mais modernamente, alguns teóricos, consultores e executivos passaram a utilizar a metáfora do “skate”, para conceituar parte dos desafios da vida, da profissão, e do contexto corporativo, dada a diversidade de “pistas e de terrenos”, embora em uma proposta mais “individual”.

Atualmente, se considerarmos esse aspecto mais individual do “jogo de cintura”, e da habilidade de lidar com terrenos diversos, representado pelo “skate” (por sinal um esporte que ganhou maior projeção por conta do novo “rol” de esportes olímpicos), propomos que se considere, também, o “surf” (igualmente um “novo” esporte olímpico”), pois também ele pode ser demonstrado como um esporte “parente do skate”, que contempla diversidades adicionais, por conta do mar, das ondas etc.

Todo esse conceito, pode ser adaptado para a nossa vida, a nossa profissão, as nossas funções, tarefas e papéis na sociedade de forma geral, e nas organizações.

Dentre as chamadas “softskills”, cada vez mais festejadas e procuradas pelas organizações, em seu recrutamento, retenção e promoção de profissionais, precisamos constantemente incluir novas competências e características, como o equilíbrio, a rápida leitura e adaptação relacionada e
cenários e contextos, flexibilidade e tantas outras.

Na advocacia corporativa, por exemplo, precisamos estar sempre “um passo a frente” das demandas que recebemos das empresas de forma geral, e do que elas precisam, esperam e querem da nossa categoria profissional. Até mesmo para que consigamos não apenas “nos manter no jogo”, como para que conquistemos ou conservemos vantagens competitivas.

A chamada qualidade total que as organizações tanto buscam, com vistas a serem percebidas como melhores, que produzem, comercializam ou de forma geral oferecem à sociedade, produtos e/ou serviços melhores, valorizam e tratam melhor seus colaboradores, parceiros e clientes, e que com a
somatória positiva dos diversos fatores que compõe a empresa como um todo, é cada vez mais desafiadora e complexa. E vale muito dinheiro!!

Esses fatores, individuais, coletivos e corporativos, na vida real, podem ser determinantes de nossa capacidade de gerar e manter valor, ganhar dinheiro, mantermo-nos “trabalháveis” (que em si já é uma evolução da empregabilidade), e que também colaboram para a nossa imagem e reputação.

Precisamos estar sempre atualizados, assim como temos que estudar e trabalhar muito, além de sermos inovadores, criativos, éticos, flexíveis, adaptáveis, comprometidos/dedicados (e todo o “cardápio” atualmente necessário) para que de fato sejamos percebidos como pessoas e profissionais (e como empresas, a depender do contexto) “diferenciados” no sentido positivo.

Cada pessoa precisa ter o seu estilo, a sua estratégia, em cenários cada vez mais diversos, competitivos, variáveis, dinâmicos e desafiadores. E jamais podemos nos acomodar, precisando melhorar e evoluir diária.

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É uma construção permanente, que pode ajudar a determinar se temos efetiva condição de praticar (por analogia) esportes como skate, remo, rafting ou surf.

*Leonardo Barém Leite é sócio sênior do escritório “Almeida Advogados” em SP, especialista em Direito Societário e Contratos, Fusões e Aquisições, Governança Corporativa, Sustentabilidade e ESG,“Compliance”, Projetos e Operações Empresariais, e Direito Corporativo; também é árbitro, professor, conselheiro, e autor de diversas obras. Presidente da Comissão de Direito Societário, Governança Corporativa e ESG da OAB-SP/Pinheiros.

SÃO PAULO WEATHER