Pix Automático promete inclusão financeira para 60 milhões de brasileiros sem cartão de crédito

Pix Automático promete inclusão financeira para 60 milhões de brasileiros sem cartão de crédito
Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, anuncia em São Paulo o lançamento do Pix Automático, durante o evento Conexão Pix, destacando os impactos sociais e operacionais da nova funcionalidade de pagamento/Agência Brasil
Publicado em 05/06/2025 às 11:30

Da redação de LexLegal

O Banco Central do Brasil lançou uma nova funcionalidade do sistema de pagamentos instantâneos que promete ampliar a inclusão financeira e facilitar a vida de milhões de brasileiros: o Pix Automático. Segundo o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, a iniciativa deve beneficiar cerca de 60 milhões de pessoas que atualmente não têm acesso a cartões de crédito.

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“Sessenta milhões de pessoas que hoje não têm cartão de crédito vão poder ter acesso a uma série de serviços ou a uma série de facilidades, mas não só a facilidade daquele serviço que ela já tem acesso, mas a serviços que ela não tinha acesso por não ter uma modalidade de contratação desse jeito. E quem tem um cartão de crédito e pode fazer, terá também uma série de conveniências”, afirmou Galípolo.

A nova ferramenta permitirá o agendamento de pagamentos recorrentes — como contas de energia elétrica, mensalidades escolares, academias e serviços de streaming — de forma automática e direta da conta bancária, sem a necessidade de cartão de crédito. De acordo com o cronograma do BC, a funcionalidade estará disponível para pessoas físicas a partir de 16 de junho. Empresas funcionarão como recebedoras dos valores.

Durante o evento, Renato Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central, destacou que a nova modalidade elimina barreiras para o acesso ao comércio eletrônico. “Hoje em dia você precisa ter um cartão de crédito para assinar o streaming e muitos consumidores estão excluídos de produtos do comércio eletrônico precisamente pela ausência de um meio de pagamento que, vamos dizer, contorne o ecossistema de cartões e que atinja consumidores que só têm uma conta bancária ou que tenham um limite pequeno. Então, esse lado da inclusão vai ser muito importante para os consumidores”.

O funcionamento do Pix Automático prevê que o pagador autorize previamente o pagamento — em um processo semelhante ao do débito automático — e estabeleça limites de valor e periodicidade. Antes da data programada, o banco notificará o cliente sobre a cobrança, permitindo que ele revise o valor e, se desejar, cancele o pagamento até a véspera do vencimento. Essa autorização é concedida uma única vez, mas pode ser revogada a qualquer momento.

O chefe do Departamento de Competência e Estrutura do Mercado Financeiro do BC, Ricardo Mourão, explicou que o cliente poderá optar por não usar o limite do cheque especial nessas transações. “O pagador pode marcar que não quer usar automaticamente o seu limite de cheque especial, então, mais uma vez, o pagador decidirá se ele quer ou não usá-lo. Isso não será feito automaticamente, a não ser que ele [pagador] tenha dado autorização para que isso aconteça”.

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Para mitigar riscos de fraudes, o Banco Central publicará uma resolução, nesta quarta-feira (5), com exigências de que apenas empresas com mais de seis meses de atividade e nome compatível com o cadastro da Receita Federal possam aderir à nova modalidade.

Além de ampliar o acesso de consumidores a serviços e produtos digitais, o Pix Automático também trará benefícios importantes para as empresas. Renato Gomes destacou que, atualmente, grandes companhias precisam manter convênios com dezenas ou centenas de bancos para operar o débito automático. “Pelo lado das empresas, eu acho que também vai ter um tremendo impacto porque atualmente a empresa precisa ter cerca de 200 contas bancárias. Se ela quiser atingir os clientes de uma certa instituição, a empresa tem que ter um convênio com aquela instituição [bancária] para poder oferecer o débito automático aos clientes que ela está mirando. Imagina o custo de transação e o custo legal de gerir isso tudo! O Pix Automático vai permitir que uma empresa consolide toda a sua atividade numa única instituição”.

A expectativa do BC é que a nova funcionalidade estimule pequenos empreendedores a aderirem ao sistema, facilitando o recebimento de pagamentos recorrentes sem a necessidade de infraestrutura bancária complexa. “A Bodytech deve ter um serviço de débito automático, com várias instituições, mas a academia da esquina não tem, e agora vai passar a ter, precisamente por conta da democratização do Pix Automático”, concluiu Gomes.

O Pix, criado pelo Banco Central em 2020, é um sistema de pagamentos instantâneos que permite a transferência de valores entre contas em poucos segundos, em qualquer dia ou horário. Desde seu lançamento, o método revolucionou o sistema financeiro brasileiro, com ampla adesão por parte de consumidores e empresas. Com a nova funcionalidade, o BC reforça o compromisso de ampliar a eficiência do sistema de pagamentos e promover a inclusão financeira no país.

O Pix Automático surge como mais um passo em direção a um sistema bancário mais inclusivo e tecnológico. Atualmente, o Brasil tem mais de 150 milhões de usuários cadastrados no sistema Pix, segundo dados do Banco Central. O volume de transações cresceu exponencialmente desde a sua criação, atingindo em 2024 a marca de 35 bilhões de operações. A nova ferramenta deve acelerar ainda mais esse ritmo, ao permitir que pagamentos rotineiros se tornem automáticos — algo que pode aliviar a vida financeira de milhões de brasileiros e aumentar a previsibilidade de receita para empresas, especialmente aquelas que operam com mensalidades fixas.

Especialistas do setor financeiro destacam que, ao reduzir a dependência de cartões de crédito e convênios bancários, o Pix Automático pode também favorecer a concorrência entre bancos e fintechs. Isso porque a tecnologia é acessível e interoperável entre diferentes instituições financeiras, o que deve beneficiar, sobretudo, empresas menores e consumidores menos bancarizados.

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Além disso, o novo modelo reforça o papel do Banco Central como indutor de modernização no sistema financeiro nacional, especialmente ao priorizar iniciativas que combinem inovação tecnológica com responsabilidade regulatória. Com a promessa de ampliar o acesso a serviços financeiros e reduzir custos operacionais, o Pix Automático poderá se consolidar, nos próximos anos, como uma das principais ferramentas de gestão financeira digital do país.

SÃO PAULO WEATHER