Pepe Mujica: da guerrilha à presidência, um legado de humildade e transformação na América Latina

Pepe Mujica: da guerrilha à presidência, um legado de humildade e transformação na América Latina
A trajetória de vida de José Alberto Mujica Cordano percorreu a guerrilha, a prisão e a presidência/Agência Brasil
Publicado em 16/05/2025 às 3:30

José Renato Ferraz da Silveira, Davi Lôbo Todeschini e Laryssa Andrade Cavalheiro*

Nesta terça-feira, (13) faleceu aos 89 anos de idade, o ex-presidente do Uruguai, José Alberto Mujica Cordano. Mais do que um político bem sucedido, Pepe Mujica foi um exemplo de cidadão, de ser humano. Mujica será eternamente lembrado na América Latina e no mundo por seu legado de humildade, cristalizado na figura trajada de maneira simples, dirigindo seu fusca acompanhado de sua cadelinha de três patas Manuela. Seu último pedido em vida? Ter suas cinzas jogadas sob a mesma sequoia onde resta sua cadelinha.

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Sua trajetória de vida percorreu a guerrilha, a prisão e a presidência. Nos anos 1960, integrou o Movimento Libertação Nacional – Tupamaros, grupo guerrilheiro de inspiração marxista que combatia a repressão e as desigualdades sociais no Uruguai. Por sua atuação, foi preso diversas vezes, sendo torturado e mantido em condições extremas por quase 13 anos durante a ditadura militar, inclusive em regime de completo isolamento. Com a redemocratização,voltou à vida política pelas vias institucionais, fundou um novo partido, foi deputado, senador e, em 2010, chegou à presidência da república.

No comando do Uruguai entre 2010 e 2015, Mujica ganhou destaque no cenário internacional por suas políticas sociais e progressistas. Legalizou o aborto, regulamentou o uso da cannabis, defendeu os direitos LGBTQIA+ e reduziu à pobreza em seu país, sempre reafirmando que a política deveria ser para as pessoas, e não ao poder.

Para além dos grandes avanços sociais que promoveu e lutou ao longo de todos seus 89 anos de vida, Mujica se destaca de tantos outros pelo seu carisma e sinceridade. A sua figura foi algo raro na política latino-americana, possuía as paixões e comportamentos de um cidadão comum, mas abdicava dos luxos de seu cargo e demonstrava dignos valores morais e éticos.

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Como disse o presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, “sua grandeza humana ultrapassou fronteiras. A sabedoria de suas palavras formou um verdadeiro canto de unidade e fraternidade para a América Latina. E sua forma de compreender e explicar os desafios do mundo atual continuará guiando os movimentos sociais e políticos que buscam construir uma sociedade mais igualitária”.

*José Renato Ferraz da Silveira é professor Associado IV do Departamento de Economia e Relações Internacionais da UFSM. Doutor e Mestre em Ciências Sociais pela PUC-SP. Graduação em Relações Internacionais pela PUC-SP. Graduação em História pela ULBRA. Líder do Grupo de Teoria, Arte e Política (GTAP). Editor-chefe da Revista InterAção (Qualis A-2). Davi Lôbo Todeschini é graduando em Relações Internacionais pela UFSM e membro do Grupo de Teoria, Arte e Política (GTAP). Laryssa Andrade Cavalheiro é graduanda em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e integrante do Grupo de Teoria, Arte e Política (GTAP).

SÃO PAULO WEATHER