Reforma tributária impõe novo padrão de transparência na comunicação de preços ao consumidor

Reforma tributária impõe novo padrão de transparência na comunicação de preços ao consumidor
Em um ambiente de crescimento da consciência do consumidor sobre tributos, especialmente após anos de debate público sobre a carga fiscal no Brasil, marcas que se antecipam e comunicam de forma clara a composição dos preços tendem a construir vantagem competitiva/Freepik
Publicado em 09/06/2025 às 10:00

Da redação de LexLegal

Com a regulamentação da reforma tributária em pauta no Congresso, empresas de todos os setores terão que adaptar não apenas seus sistemas contábeis e operacionais, mas também a maneira como informam os preços dos produtos e serviços ao consumidor final. Um dos pontos centrais da nova legislação — ainda pouco debatido publicamente — é a exigência de clareza e destaque dos tributos incidentes na composição do preço, de forma acessível e ostensiva.

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A mudança, que decorre da implementação do IVA dual (Imposto sobre Valor Agregado federal e estadual/municipal), tende a simplificar a tributação sobre o consumo, mas exige revisão de etiquetas, anúncios, cardápios, plataformas digitais, vitrines e demais materiais de comunicação utilizados na relação com o cliente.

Para a advogada Débora Farias, especialista em Direito Empresarial e do Consumidor, a exigência vai além da adequação contábil. Trata-se de uma mudança estratégica que impacta diretamente a reputação das empresas. “A forma como o preço é apresentado passa a ter implicações legais mais sensíveis. A comunicação imprecisa pode ser considerada prática abusiva, gerar sanções e, principalmente, abalar a relação de confiança com o consumidor”, afirma.

A obrigatoriedade de informar ao consumidor a carga tributária incidente sobre produtos e serviços já consta na Lei 12.741/2012, conhecida como Lei da Transparência Fiscal, e também no Código de Defesa do Consumidor (CDC). Contudo, com o novo modelo tributário, essa exigência passa a demandar ainda mais atenção das empresas, especialmente no que diz respeito à padronização de sistemas e clareza na linguagem utilizada.

Comunicação integrada com foco jurídico

Na visão da especialista, o departamento jurídico das empresas deve atuar de forma preventiva e integrada com os setores de marketing, comercial e experiência do cliente. A recomendação é que haja cooperação interna para garantir que todas as informações veiculadas — do rótulo de um produto à descrição de um serviço no e-commerce — estejam legalmente corretas e facilmente compreensíveis.

Marketing e jurídico precisam trabalhar juntos para garantir não apenas conformidade legal, mas uma comunicação transparente e estratégica com o cliente”, explica Débora Farias. Ela destaca que esse alinhamento é especialmente relevante em um cenário de transição, no qual dúvidas sobre a aplicação da nova legislação podem gerar insegurança para o consumidor e exposição para as marcas.

Potencial risco reputacional

A especialista alerta que, além de autuações administrativas por órgãos de defesa do consumidor — como o Procon e o Ministério Público —, a falta de clareza sobre tributos embutidos no preço pode afetar diretamente a imagem da empresa. “Não se trata apenas de evitar multas. A transparência no preço é hoje também um indicador de ética corporativa e pode influenciar o comportamento de compra”, afirma.

Em um ambiente de crescimento da consciência do consumidor sobre tributos, especialmente após anos de debate público sobre a carga fiscal no Brasil, marcas que se antecipam e comunicam de forma clara a composição dos preços tendem a construir vantagem competitiva.

O consumidor está mais atento à composição dos preços. Ser transparente pode fortalecer a marca e consolidar uma postura ética no mercado”, conclui Débora.

O que as empresas devem fazer agora?

  • Auditar os canais de precificação e comunicação com o cliente (etiquetas, cardápios, sites, aplicativos, marketplaces);
  • Integrar jurídico, TI, marketing e comercial para criar modelos padronizados de exibição de preços e tributos;
  • Atualizar sistemas de ERP e PDV para que informem corretamente a carga tributária incidente;
  • Investir em treinamento de equipe e capacitação sobre as obrigações da nova legislação;
  • Estabelecer planos de transição para quando a reforma tributária entrar plenamente em vigor.

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A implementação da reforma será gradual, com cronogramas definidos por regulamentação complementar. No entanto, empresas que anteciparem ajustes sairão na frente — tanto em termos de conformidade quanto de confiança junto ao consumidor.

SÃO PAULO WEATHER