A armadilha da liderança “boazinha” – e o que as mulheres estão ensinando sobre gestão de legaltechs

A armadilha da liderança “boazinha” – e o que as mulheres estão ensinando sobre gestão de legaltechs
Existe um certo preconceito de que mulheres líderes seriam mais "boazinhas" e menos focadas em desempenho, mas os números mostram exatamente o contrário/Freepik
Publicado em 27/03/2025 às 3:00

Priscila Spadinger*

Na semana passada li muitas notícias envolvendo liderança frágil e impacto nos negócios e, nos últimos anos, tenho visto um fenômeno curioso (e preocupante) no mundo das startups: líderes “bonzinhos demais” que priorizam a harmonia interna e o bem-estar dos colaboradores acima de decisões estratégicas e voltadas para resultados. Parece bonito na teoria, mas na prática, essa abordagem tem levado muitas empresas – incluindo legaltechs, empresas que entregam inovação e tecnologia para a área do Direito – à estagnação e, em alguns casos, à falência.

E aí vem a grande pergunta: o que faz uma startup decolar enquanto outras quebram? A resposta está na LIDERANÇA. Empresas bem-sucedidas são aquelas comandadas por profissionais que, apesar de humanos e empáticos, sabem tomar decisões rápidas e baseadas no que a empresa precisa – e não apenas no que os funcionários gostariam. Isso significa trabalhar com metodologias ágeis, definir metas claras e criar um ambiente transparente, onde a performance é medida constantemente e ajustes são feitos sem hesitação.

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Um exemplo de startup legaltech que está voando é a Forelegal. Sob a liderança de Celina Salomão, a empresa tem apostado em metodologias ágeis e uma cultura de alta performance, garantindo entregas de impacto e diferenciação no mercado. Enquanto algumas legaltechs ainda insistem em modelos de gestão ultrapassados, onde feedbacks positivos valem mais que resultados concretos, a Forelegal mostra que eficiência e inovação precisam caminhar juntas.

Outro exemplo interessante vem de um escritório tradicional que soube inovar: o Ópice Blum Advogados. A equipe tem investido pesado em tecnologia e metodologias ágeis para otimizar seus processos, entregando mais valor aos clientes e se consolidando como referência no setor jurídico. Aqui, a liderança entende que inovação não pode ficar só no discurso – precisa ser aplicada de forma estratégica e com foco em resultados.

Um ponto que merece destaque nessa discussão é o impacto da liderança feminina nos resultados das empresas. Existe um certo preconceito de que mulheres líderes seriam mais “boazinhas” e menos focadas em desempenho, mas os números mostram exatamente o contrário.

Um estudo da McKinsey & Company revelou que empresas com maior representatividade feminina na liderança apresentam uma lucratividade 21% maior do que a média do mercado. Além disso, um levantamento do Boston Consulting Group (BCG) apontou que startups fundadas ou cofundadas por mulheres geram 10% mais receita do que aquelas lideradas exclusivamente por homens, mesmo recebendo menos investimentos iniciais.

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Isso mostra que a liderança feminina tem feito a diferença no mundo corporativo e no ecossistema de startups. Mulheres no comando tendem a equilibrar inteligência emocional e tomada de decisão assertiva, mantendo um ambiente saudável, mas sem abrir mão da necessidade de resultados. Esse modelo de gestão pode ser um grande diferencial competitivo, especialmente no setor de legaltechs, onde a inovação precisa caminhar lado a lado com a eficiência.

Por outro lado, startups que adotam uma gestão excessivamente “humana” – evitando conflitos e demorando para tomar decisões impopulares – acabam criando um ambiente de baixa produtividade e comprometendo seu próprio crescimento. A verdade é que demitir colaboradores desalinhados ou que não entregam o esperado não é crueldade, é necessidade. E a falta de coragem para fazer isso pode ser um sinal de liderança frágil.

No universo das legaltechs, onde inovação e eficiência são essenciais, uma liderança firme e focada na execução faz toda a diferença. Ser um líder empático e acessível é ótimo, mas quando a simpatia se torna o fator principal na gestão, ela pode ser o maior inimigo do crescimento e da sustentabilidade do negócio.

No fim das contas, as startups que realmente prosperam são aquelas que encontram o equilíbrio certo entre humanização e execução eficiente. E esse é o grande desafio das legaltechs: criar um modelo de gestão que valorize as pessoas sem perder de vista o propósito maior da empresa – entregar soluções inovadoras e impactantes para o mercado jurídico.

*Priscila Spadinger é CEO da holding Aleve LegalTech Ventures S/Aadvogada especializada em M&A e investidora anjo.

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