Advogados que adotam IA buscam capacitação antes de utilizar a tecnologia, aponta pesquisa

Advogados que adotam IA buscam capacitação antes de utilizar a tecnologia, aponta pesquisa
A pesquisa reforça que a inteligência artificial pode ser uma aliada na rotina dos advogados, aumentando a eficiência e reduzindo o tempo de trabalho em tarefas repetitivas/JusBrasil
Publicado em 24/02/2025 às 2:42

Da redação de LexLegal

Uma pesquisa inédita realizada por Jusbrasil, Trybe, OAB-SP e ITS Rio revelou que 71% dos advogados que utilizam inteligência artificial (IA) generativa buscaram capacitação antes de aderir à tecnologia. Em contrapartida, entre aqueles que ainda não adotaram essa ferramenta, 79% não procuraram qualquer tipo de formação para compreender seu funcionamento.

O estudo, intitulado 1º Relatório sobre o Impacto da IA Generativa no Direito, foi apresentado na sede da OAB-SP nesta sexta-feira (21) e traçou um perfil dos profissionais que já incorporaram IA generativa ao dia a dia jurídico. Além da relação entre uso da tecnologia e capacitação, a pesquisa mostrou que 65% dos usuários frequentes de IA trabalham em organizações que incentivam o uso da ferramenta no ambiente jurídico.

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Capacitação e o impacto na advocacia

O presidente da OAB-SP, Leonardo Sica, destacou a importância de preparar os advogados para o uso responsável da inteligência artificial. “No ano passado, promovemos o primeiro curso de IA generativa voltado para a advocacia e tivemos 40 mil inscritos. Isso já foi um marco para a nossa entidade. Neste ano, vamos adotar projetos itinerantes nas cidades de Campinas e São José dos Campos para ampliar o acesso à capacitação”, afirmou.

A pesquisa também revelou que o uso da IA generativa na advocacia não está restrito a advogados mais jovens. Entre os entrevistados que utilizam a ferramenta:

  • 27,7% têm entre 45 e 54 anos
  • 23% têm entre 35 e 44 anos
  • 21,6% têm entre 55 e 64 anos
  • 13,5% têm menos de 24 anos
  • 12,8% têm mais de 65 anos

Riscos e desafios da IA no setor jurídico

Luiz Paulo Pinho, cofundador do JusBrasil, alertou sobre a necessidade de desenvolver ferramentas de checagem para evitar erros, como a citação de jurisprudências inexistentes. ““O desafio, agora, vai além de apoiar os profissionais do Direito: é entregar soluções que ampliem a inteligência jurídica, garantindo confiabilidade, checagem e valor agregado na tomada de decisão. Velocidade é importante, mas de nada serve se não for confiável. O caráter cognitivo da advocacia jamais será substituído”, ressaltou.

A pesquisa reforça que a inteligência artificial pode ser uma aliada na rotina dos advogados, aumentando a eficiência e reduzindo o tempo de trabalho em tarefas repetitivas. No entanto, sua implementação exige qualificação e um uso criterioso para evitar problemas como a disseminação de informações imprecisas ou mal interpretadas.

Perspectivas para o uso da IA na advocacia

Com o crescimento do uso de IA no setor jurídico, espera-se que as instituições continuem promovendo capacitação e debates sobre o tema. A regulamentação do uso da tecnologia no Direito e o impacto da automação nas decisões judiciais são questões que devem ganhar ainda mais relevância nos próximos anos.

A pesquisa indica que, enquanto algumas organizações já incentivam o uso da IA no cotidiano dos advogados, muitas ainda estão em fase inicial de compreensão da ferramenta. O desafio será equilibrar inovação e segurança jurídica, garantindo que a inteligência artificial seja um suporte confiável para a tomada de decisões.

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SÃO PAULO WEATHER