CNJ e iFood firmam parceria para capacitar entregadores no combate à violência contra a mulher

Da redação de LexLegal
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) firmou, nesta terça-feira (11), um acordo de cooperação com a plataforma de entregas iFood para ampliar o enfrentamento à violência contra a mulher. A parceria prevê a capacitação de profissionais que realizam entregas para que sejam capazes de identificar e agir em casos de pedidos silenciosos de socorro feitos por mulheres em situação de violência doméstica.
Durante a cerimônia de assinatura, o presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, destacou a gravidade da violência doméstica no Brasil, classificando-a como uma “epidemia” social. “Nós agradecemos essa parceria para enfrentarmos esse processo histórico incivilizado de disseminação da violência doméstica”, afirmou Barroso. Ele também reforçou o papel do CNJ na mobilização da sociedade para combater esse tipo de violência.
Como funcionará a parceria
A iniciativa será incorporada ao programa Sinal Vermelho, lançado em 2020 pelo CNJ como uma estratégia de proteção às mulheres em risco. No âmbito do programa, as vítimas podem sinalizar a necessidade de ajuda desenhando um “X” na palma da mão com batom vermelho. Esse gesto silencioso permite que atendentes de farmácias, agências bancárias e outros espaços acionem as autoridades de forma discreta.
Com o acordo, o iFood capacitará seus entregadores para reconhecer sinais semelhantes, ampliando a rede de apoio às vítimas em suas próprias residências – um local onde muitas vezes a violência ocorre e permanece invisível. A ideia é que os entregadores, que possuem contato direto com milhões de lares diariamente, possam agir como aliados no combate à violência doméstica.
Por que essa parceria é importante?
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam que uma mulher é vítima de violência doméstica a cada dois minutos no Brasil. A pandemia de COVID-19 agravou ainda mais a situação, uma vez que muitas mulheres ficaram confinadas com seus agressores, dificultando o acesso à ajuda. Nesse contexto, a ampliação de canais de denúncia e identificação de situações de violência se tornou ainda mais urgente.
A inclusão de entregadores no programa Sinal Vermelho representa um esforço para levar a rede de proteção a lugares antes inacessíveis. Por estarem em contato direto com as vítimas em seus lares, os entregadores podem desempenhar um papel fundamental na identificação de casos críticos e no encaminhamento às autoridades competentes.
O acordo entre o CNJ e o iFood reforça a importância da mobilização de diferentes setores da sociedade no enfrentamento à violência contra a mulher. Empresas privadas, como o iFood, têm um papel estratégico ao integrar suas operações a programas sociais de impacto. Além disso, a parceria serve como exemplo de como iniciativas públicas e privadas podem se complementar para ampliar o alcance de políticas de proteção.
Com o acordo já em vigor, o iFood deve iniciar em breve a capacitação de seus entregadores por meio de treinamentos online e materiais educativos. A expectativa é que o modelo seja replicado em outras empresas do setor, ampliando a rede de proteção e conscientização.
O presidente do CNJ enfatizou que o sucesso de ações como essa depende do comprometimento coletivo. “A violência doméstica não é apenas um problema das mulheres. É um problema da sociedade como um todo, e precisamos agir juntos para enfrentá-lo”, concluiu Luís Roberto Barroso.