Empresa no RJ revendia carne que estragou durante enchentes no Sul

Empresa no RJ revendia carne que estragou durante enchentes no Sul
Polícia Civil do Rio recuperou veículos usados em esquema milionário de fraude e locação clandestina ligados a grupos criminosos/PC
Publicado em 22/01/2025 às 22:40

Da redação de LexLegal

Em uma operação coordenada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, quatro pessoas foram presas nesta quarta-feira (22) por envolvimento na comercialização de carne bovina imprópria para consumo. O produto, que havia ficado submerso nas enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em abril de 2024, foi adquirido por uma empresa investigada e posteriormente revendido de forma irregular.

De acordo com o delegado Wellington Pereira, da Delegacia do Consumidor (Decon), os sócios da empresa sob investigação compraram 800 toneladas de carne bovina estragada, incluindo cortes nobres, que haviam sido danificadas pela lama e água das enchentes em Porto Alegre. O material foi submetido a um processo de “maquiagem” para ocultar os danos antes de ser revendido.

“Aquela deterioração provocada pela lama, pela água, que ficaram acumuladas no frigorífico e em toda a cidade da capital gaúcha, deixou alguns efeitos deletérios. Esses efeitos foram retirados, como eu disse, maquiados, para fazer a revenda”, explicou Pereira.

Segundo as investigações, a empresa alegou inicialmente que a carne seria destinada à produção de ração animal. No entanto, as notas fiscais apreendidas mostram que os produtos, avaliados originalmente em R$ 5 milhões, foram adquiridos por apenas R$ 80 mil e revendidos a outras empresas, gerando um lucro de mais de 1.000%.

Operação e apreensões

Batizada de Operação Carne Fraca, a ação cumpriu oito mandados de busca e apreensão em Três Rios, no estado do Rio de Janeiro, e em outros endereços ligados à empresa investigada. Entre os itens apreendidos estavam carnes fora das condições de armazenamento adequadas, com validade vencida, além de parte dos lotes que haviam sido submersos durante as enchentes.

“A carne não chegou nem aqui no Rio de Janeiro. Já foi transportada para diversos outros compradores que não sabiam da procedência, 32 carretas que saíram lá do Sul para diversos destinos do Brasil”, informou o delegado Pereira. Ele acrescentou que a polícia está rastreando as empresas que adquiriram os produtos sem conhecimento da fraude.

O esquema foi descoberto quando uma empresa gaúcha, que havia comprado parte da carne adulterada, reconheceu o produto pelas etiquetas e condições de deterioração. “Por coincidência, a mesma empresa que vendeu a carne deteriorada comprou uma parte dessa carne. Quando identificou pelas etiquetas e pelas condições, percebeu que estava sendo vítima de uma fraude”, explicou Pereira.

Os envolvidos foram autuados pelos crimes de associação criminosa e venda e estocagem de mercadoria imprópria para consumo. A Polícia Civil do Rio de Janeiro também investiga possíveis crimes de receptação qualificada e lavagem de dinheiro, já que, durante as buscas, foram encontrados outros itens suspeitos, como medicamentos para aumento de virilidade masculina.

“Os responsáveis pelo esquema usaram uma tragédia para gerar lucro, colocando em risco a saúde da população. Estamos empenhados em identificar todos os envolvidos e responsabilizá-los”, concluiu o delegado.

A operação segue em andamento, e a polícia está colaborando com autoridades de outros estados para localizar os lotes já distribuídos e proteger a saúde pública.

SÃO PAULO WEATHER